A saúde vem sendo redefinida. Se as pessoas são saudáveis ou doentes, já não depende apenas do seu físico, mas também do seu bem-estar mental. Para compensar as  imperfeições humanas, um novo mercado para a saúde, performance e beleza está crescendo.

Mind the future, 2011

1. A evolução da alimentação

Vamos fazer uma brincadeira? Pare e pense no que você comeu ontem: quais alimentos você ingeriu no seu café da manhã, almoço e jantar? Lanches também podem entrar na sua lista. Agora vamos fazer uma comparação: você já pensou em como os nossos antepassados se alimentavam? Não os nossos avós e bisavós, vamos mais longe. O homem pré-histórico, o homem medieval, já tentou imaginar do que eles sobreviviam? Que tipo de dieta seguiam?

Como tudo no mundo, a alimentação é um hábito que sofreu grandes mudanças e evoluiu com o passar dos anos. Veja a seguir essa breve linha do tempo da evolução da alimentação para entender um pouco como chegamos até o tipo de alimentação consumida atualmente.

Pré-história

A dieta do homem pré-histórico era 99% baseada em plantas e animais silvestres. Era uma dieta rica em nutrientes. Dentre os alimentos consumidos figuravam raízes das mais variadas, castanhas, folhas, frutos, feijões silvestres e pequenos animais, peixes e mariscos.

REVOLUÇÃO AGRÍCOLA

Revolução Agrícola

A mudança na dieta pré-histórica veio com a revolução
agrícola. Segundo historiadores, há aproximadamente 10.000 anos, ocorreu uma mudança climática significativa na Terra e, devido a essa alteração, alguns animais que faziam parte da alimentação do homem pré-histórico desapareceram. Tal episódio contribuiu para o desenvolvimento da agricultura, que passou a ser a principal atividade da sociedade. A nova dieta, por outro lado, ocasionou o surgimento de doenças como osteoporose e anemia.

EGITO
ANTIGO

Egito antigo

No período de 10.000 a 4.000 a.C., os egípcios já faziam associações entre alimentação e a condição de saúde das pessoas. Eles conheciam bem as ervas medicinais e passaram a conectar doenças com os alimentos que ingeriam.

EGITO
ANTIGO

Revolução industrial

Com a chegada das máquinas e a consequente Revolução Industrial, surgiram novos métodos de conservar e processar alimentos. As pessoas passaram a consumir mais carne e alimentos como pães, biscoitos e massas se tornaram pratos principais nas mesas da população mais pobre, já que a farinha branca passou a ser refinada e ficou mais barata. Infelizmente, a felicidade de alguns ao ter comida na mesa não significava necessariamente qualidade. A tal farinha branca - evitada pelos seguidores da cultura fitness de hoje - perde importantes fibras e nutrientes essenciais para uma dieta completa ao passar pelo processo de industrialização.

EGITO
ANTIGO

Século XX

O século XX viu duas guerras mundiais e um grande número de pessoas desnutridas, o que aumentou a participação de governos em campanhas que incentivavam a adoção de hábitos alimentares mais saudáveis pela população. Foi constatado que a desnutrição não é resultado apenas da fome, mas também de uma dieta pobre em vitaminas e nutrientes. Na contramão, a indústria de alimentos processados continuou crescendo, firme e forte.

EGITO
ANTIGO

1950+

Na década de 50, as indústrias passaram a acrescentar produtos químicos em alimentos. Na época, existiam 2.500 aditivos artificiais diferentes - hoje estima-se um número de aproximadamente 3.850 aditivos! Esse tipo de produto químico adicionado aos alimentos é regulamentado por lei. No entanto, ainda não se sabe os danos que os aditivos podem ter no organismo humano a longo prazo.

2. Você é o que você come?

O que as pessoas entendem por “alimentação”?

Bem-estar. Não é o prazer momentâneo do sabor de alguma coisa. É pelo prazer de viver bem, pela qualidade de vida.

Comida de verdade é a comida que a gente cozinha, que a gente deposita energia. Eu sinto prazer, bem-estar. É qualidade de vida. Fico doente quando paro de comer bem.

Está ligada com a qualidade de vida que você quer ter.

Alimentação é tudo. Manda no sono, no bem-estar.

Mais que uma condição básica de sobrevivência, ter uma vida saudável está se tornando cada vez mais um estilo de vida. E a alimentação, como sabemos desde a época do Egito Antigo, está diretamente conectada à nossa saúde.

A percepção de que a alimentação é fundamental para o bem-estar de uma pessoa já está muito disseminada entre a sociedade. E se a boa saúde passa por se sentir bem, tanto física quanto mentalmente, nada mais natural que a alimentação passasse a ocupar lugar central na busca pelo "ser saudável".

Entrevistamos 100 homens e mulheres de variadas idades e classes sociais em Belo Horizonte. Os resultados mostram que, em geral, os entrevistados estão tentando reduzir a distância entre o seu desejo de viver uma vida saudável e a dificuldade de adotar práticas de bem-estar.

Vamos entender um pouco mais desses desejos?

80% das pessoas que querem mudar seus hábitos estão pensando em ter uma alimentação mais saudável.
Mas, afinal, como é a nossa alimentação hoje em dia?

Não sigo dieta, mas penso sempre em frações. Raciocíno no benefício daquilo que estou comendo. Alimentação saudável não é privação. É opção.

Tem semana que é impossível manter a dieta, não tem tempo de fazer tudo.

E quais são os hábitos de consumo dessa turma em busca de uma alimentação saudável?

A refeição mais difícil é, sem dúvida, o lanche.

Quem pesquisa e sabe o que é realmente saudável acha poucas opções na cidade.

Fica o exemplo de outras capitais e de outros países que têm muito mais ofertas de sucos, frutas frescas e alimentos saudáveis com mais conveniência. Aqui, tudo é muito baseado na fritura e em salgados.

Existem muitos lugares que estão na onda do saudável, mas que de saudável mesmo não têm nada.

Falta um lugar onde saudáveis e nem tão saudáveis possam comer juntos.

A gente quer se libertar das correntes de ter que fazer tudo em casa.

94% dos entrevistados acreditam que a onda do bem-estar é tendência que veio para ficar

O consumidor hoje está mais bem informado e mais consciente do seu protagonismo no cuidado com a saúde. Segundo o estudo Brasil Food Trends 2020, realizado por diversos especialistas do país em alimentação, a saudabilidade é uma das tendências do setor com maior potencial de crescimento. As pessoas vão buscar cada vez mais por alimentos de qualidade e que sejam benéficos à saúde. E mais: vão procurar também informações detalhadas sobre a origem e métodos de produção desses alimentos.

Quando passei a comer melhor, percebi uma melhora muito grande no meu sono, na minha saúde, na minha vida.

Mas comer bem custa tão caro...

Para os nossos entrevistados, o custo de uma dieta mais nutritiva acaba sendo o maior empecilho para aqueles que querem ter uma vida mais saudável.

O mais difícil é a parte de orgânicos. Mas, pensando lá na frente e nos remédios que não vou usar, é um bom investimento.

Tudo o que está na moda é caro. Por que não substituir por algo parecido? A moda quer vender.

Parece que "saudável" é igual a "rico", pelo menos é o que eles acham.

Tive uma mudança radical no orçamento destinado à alimentação, especialmente para comer fora de casa.

De fato, o fator financeiro é usado como justificativa para que uma dieta mais balanceada não seja adotada por muitos. E, como o assunto está em alta - afinal, a procura por alimentos mais nutritivos e saudáveis vem só aumentando -, o mercado acaba respondendo apresentando opções mais caras que o habitual. Um estudo realizado pelo Overseas Development Institute afirma que os preços de frutas e vegetais aumentou 91% entre 1990 e 2012, em países emergentes. Em contrapartida, o valor de alimentos processados caiu 20%. A nossa saúde não agradece.

3. Os orgânicos ganham espaço

Você sabia?

Os dados alarmantes funcionam como ponto de partida para analisar um movimento que se intensifica a cada dia: a busca por produtos de baixo ou nenhum processamento industrial para melhorar a qualidade da alimentação.

Mudança de hábitos

Com quase 70% dos entrevistados dizendo que mudaram a sua alimentação para se sentir mais saudável e ter mais qualidade de vida, nota-se um aumento na procura por produtos e serviços que os ajudem nessa transição por uma vida mais saudável, favorecendo o crescimento dessa indústria. Interessante notar que quando mais de 50% daqueles que passaram por mudança de hábitos alimentares o fizeram para perder peso e quase 40% por questões estéticas, percebe-se que a busca por fazer as pazes com o espelho tem o poder não apenas de mudar a aparência, mas também de influenciar a indústria de alimentos saudáveis, que passa a ser mais procurada por aqueles que almejam mudanças no estilo de vida.

Nesse sentido, as famosas feiras de orgânicos e seus produtores surgem como boas iniciativas para aqueles que já adotam e que desejam adotar uma alimentação livre de aditivos químicos.

A indústria da alimentação saudável

As pessoas sabem que, para viver mais e melhor, é preciso comer bem, estão com mais consciência de que para terem qualidade de vida é preciso começar pela  alimentação, pois alimentos frescos são remédios. O aumento da renda, o crescimento da obesidade, o estilo de vida estressante e sedentário dos moradores das grandes cidades e até mesmo a preocupação em seguir um padrão de beleza motivaram essa tendência.

Luciana Nerva, chefe de cozinha
especializada em alimentação saudável

Já pensou em plantar sua própria comida?

Uma tendência de mercado e que pode funcionar como alternativa para uma alimentação sem agrotóxicos é a do cultivo particular. Ou, para ser mais exato, o ato de plantar a sua própria comida. Esse é um conceito que vem força no mundo inteiro por permitir que os adeptos saibam a procedência dos alimentos, como foi o processo de cultivo até que cheguem à mesa, por garantir mais vitaminas e nutrientes. E não menos importante, o custo x benefício é realmente vantajoso.

4. O universo fitness

O interesse por qualidade de vida tem aumentado muito no Brasil, o que faz com que o mercado fitness cresça gradativamente. Somos o segundo maior no ramo do mundo, perdendo apenas para os EUA. Esse mercado está aquecido e é apontado como tendência de negócio para 2015.

Weymar Teixeira, diretor de Franquias na rede de academias Alta Energia Fitness

Gabriela Pugliesi, Lalá Noleto ou Carol Buffara. Você provavelmente já ouviu falar em alguns desses nomes. Não? O trio forma o exército fitness do Brasil. Exageros a parte, essas são hoje as blogueiras fitness mais conhecidas do país. Todas começaram da mesma forma: iniciaram uma dieta com o objetivo de emagrecer e criar hábitos saudáveis. Todo o processo foi registrado e publicado em redes sociais. E o que era para ser uma reeducação alimentar virou um estilo de vida com direito a hashtags para identificar cada projeto fit.

Lalá trabalhava como blogueira de moda e passou a dividir o mundo fashion e fitness entre as suas atividades. Hoje a blogueira, dona de um tanquinho de dar inveja, é uma das embaixadoras do estilo de vida saudável que reúne uma dieta balanceada e nutritiva e uma rotina de exercícios pesada.

Gabriela Pugliesi - Gabi, como muitos a conhecem - largou a vida de escritório para se dedicar exclusivamente ao seu blog Tips4life. A blogueira soma hoje mais de um milhão de seguidores no Instagram, onde posta diariamente os seus treinos e as suas refeições. Com um discurso bem informal, a paulistana prega uma rotina de exercícios dinâmicos e realizados ao ar livre.

É também o caso da empresária Carol Buffara, que uniu o lifestyle carioca a uma rotina saudável. Segundo ela, as postagens são uma forma de autoincentivo, afinal, são mais de 400 mil seguidores acompanhando os seus passos diariamente.

Você deve estar pensando: é muito radicalismo manter uma vida se privando de uma taça de vinho ou uma fatia de pizza. E foi a essa conclusão que chegou Bella Falconi, brasileira radicada nos Estados Unidos e uma das pioneiras do Instafit.

Somos escravos do nosso corpo. Eu mesma era escrava do meu corpo, e isso atravessa a barreira do saudável. O fitness é a onda do momento, o que é maravilhoso, por se tratar de uma atividade que faz bem - lembre-se de que já houve épocas em que a moda era fumar ou usar drogas, por exemplo. Acontece que, quando não há equilíbrio, mesmo a dieta mais balanceada deixa de ser benéfica.

Bella Falconi, justificando a culpa depois de comer que comumente sentimos.

Após a sua lua de mel, Bella percebeu o quanto estava radical e isso não estava lhe fazendo bem. Em sua viagem, acordava às 4 horas da manhã para treinar e mal conseguia aproveitar os passeios com o seu marido. Foi aí que a blogueira decidiu aproveitar mais a sua vida e se dar momentos de prazer, como dividir uma taça de vinho ou comer batata frita após anos de privação. E prepare-se para o choque! O corpo de Bella Falconi continuou o mesmo. Um pouco menos musculosa, ela mesmo admite, mas bem menos radical e com uma vida social mais saudável. A blogueira diz continuar com a sua dieta balanceada e nutritiva e também a sua rotina de exercícios.

Esse pessoal que vive muito de foto - celebridades do Instagram - mantém o mesmo corpo de janeiro a janeiro. Pregam algo que não existe e isso frustra as pessoas. Acho uma hipocrisia danada. Duvido que não usem hormônios.

Privação faz mais mal que se você tivesse se permitido comer o que estava com vontade. Tem dia de chutar o balde. Se estiver com vontade, eu vou comer.”

Tudo o que é radical faz mal.

Quando sai do prazer e vira obrigação, privação, sofrimento, passa do limite.

Se eu saí de casa, vou viver aquele momento.

Tenho amigos que viajam e levam o pó para comer nas refeições. Quando a pessoa sai de férias e sai levando as marmitas, acho exagero.

A privação faz muito mais mal que você ir lá e comer o que quer.

Um mercado em plena expansão

Mas não só de blogueiras fit vive o mundo saudável. Você sabia que somos o segundo país com maior número de academias do mundo? São mais de 30.000. Perdemos apenas para os Estados Unidos, que contam com 32.000 mecas para um corpo saudável.

Segundo o instituto IHRSA, que realiza estudos no setor, aproximadamente 15 milhões de latino-americanos são membros de uma academia. Dentro da estatística, o Brasil é, sozinho, responsável por mais da metade desses estabelecimentos. Um dado que acaba por reforçar o potencial do setor fitness no país, que cresceu 133% entre 2007 e 2012.

Em Belo Horizonte, o Conselho Regional de Educação Física (CREF-MG) indica um crescimento de 72,5%, o que resultou na abertura de 174 novas academias.

É ou não é um mercado em expansão?

5. Crianças saudáveis

Você sabia?

As afirmações foram retiradas do site Food Revolution Day, projeto criado por Jamie Oliver. O chef inglês acredita que educar as crianças sobre alimentação de uma maneira lúdica e prática pode ajudá-las a ter uma vida mais saudável no futuro. A educação alimentar, para Jamie, deve estar presente no currículo de todas as escolas ao redor do mundo.

Conheça mais sobre o projeto:

Por aqui, a taxa de obesidade era de 43% em 2006 e subiu para 51% em 2013. Os dados são do Ministério da Saúde e indicam um salto bastante significativo quando se trata da saúde de nossa população. Para a nossa alegria, outro número também cresceu: as vendas de alimentos e bebidas saudáveis subiram para 98% contra 63% do setor de alimentos e bebidas tradicionais.

Mas onde entram as nossas crianças? É de pequeno que se aprende, já diziam as nossas mães. Crianças obesas têm maior probabilidade de se tornar um adulto obeso e doente. Daí a recente, e tão fundamental, preocupação com a qualidade da alimentação dos pequenos.

Seu filho come mal?

Lançado em novembro de 2012, o documentário Muito Além do Peso traz à tona o debate sobre a qualidade da alimentação das crianças e o efeito da comunicação de alimentos que as tem como público alvo.

Integrante de uma série de documentários da Maria Farinha e do Instituto Alana, o objetivo do conjunto da obra é sensibilizar a sociedade sobre os problemas decorrentes do consumismo na infância.

Para conferir o documentário na íntegra, é só clicar aqui.

Comer bem se aprende dentro de casa. Hoje estamos em um movimento de retorno. Estamos reaprendendo. Vou ter filhos um dia e vou passar isso para eles. E aí eu vou cobrar também do mercado.

O paladar você constrói no início da vida. Criança não desenvolve a vontade de comer chocolate, doce, bala. Acho que é isso: educar para construir o paladar.

A infância tem que ser muito pensada. A criança passa vinte anos se viciando em açúcar e leite, aí você vai falar que não é para ela comer mais? É torturante. Aí você vê adultos com o paladar extremamente infantil.

A próxima geração são os nossos filhos. Como nós estamos reaprendendo, vai ser isso que vamos passar a eles.

Apesar de vislumbrarmos a possibilidade de uma reeducação alimentar ao longo da vida, as crianças que recebem incentivos para se alimentar de forma saudável desde cedo são mais propensas a ter uma alimentação saudável quando adultos.

82% acreditam que o incentivo para uma alimentação saudável na infância influenciou o seu estilo de vida atual. Desses:

Mas agradar o paladar infantil não é uma tarefa fácil. É preciso usar a imaginação e criar refeições divertidas, mantendo, claro, a nutrição em mente.

Pessoas criativas, inovadoras, solidárias, equilibradas, responsáveis e produtivas só existirão se a nossa sociedade propiciar um ambiente saudável para o desenvolvimento das crianças.
Ana Vilela, presidente do Instituto Alana

Outro desafio é encontrar um lugar para comprar ingredientes que agradem. Dentre os 89% dos entrevistados que afirmaram sentir falta de alguma oferta relacionada à alimentação saudável em BH, 29% reclamam exatamente da falta de produtos e serviços voltados para crianças.

Mayra Abucham é proprietária de uma consultoria de alimentação infantil. Mãe de quatro filhos, a empresária brasileira busca desenvolver projetos de grande impacto com foco no mercado de nutrição para crianças. Em 2013, criou para a Nestlé uma série de receitas de papinhas com ingredientes como mandioca, abobrinha e erva-doce. É autora também do livro “O que fazer para o seu filho comer bem”, esgotado nas livrarias.

6. Negócios saudáveis

Muitas marcas perceberam o grande aumento de interesse do público por opções mais saudáveis e, assim, já se adaptaram à tendência de consumo.  No entanto, é importante que a leitura dessa tendência seja sempre alinhada ao público do seu negócio. E se o perfil de consumo mudar? É sempre necessário saber para quem se vende.

Confira alguns exemplos de empresas que já (re)modelaram seus negócios com base na tendência:

SweetGreen, EUA

A SweetGreen foi fundada em 2007 por três jovens norte-americanos que compartilhavam uma visão de mundo e um estilo de vida semelhantes. Com opções balanceadas e personalizáveis em todos os restaurantes, dizem que a comida que oferecem tem três pilares: ela tem que ser deliciosa, saudável e transparente na produção. Seus fornecedores também compartilham dos mesmos valores, o que acabou criando uma comunidade e um estilo de vida, além de relações apenas comerciais. Com o grande crescimento alcançado, hoje realiza programas em parcerias com escolas públicas, incentivando a alimentação infantil saudável e nutritiva. A comunidade, que só cresce, hoje já produz até um festival de música e cultura chamado SweetLife.

Vegetarian Butcher, Holanda

Um açougue vegetariano vem mostrando aos europeus que se pode fazer boas e saborosas refeições sem carne ou pelo menos reduzir o uso do ingrediente em dietas. Idealizado por três sócios, Jaap Korteweg, Niko Koffeman e Marco Westamaas, o Vegetarian Butcher surgiu em 2010 e hoje já possui pontos de venda na Holanda e em outros países da Europa. O grande segredo do negócio está na receita desenvolvida por um dos sócios que une soja e tremoço. O cliente tem a opção de saborear as refeições preparadas no local ou levar os produtos para casa.

Mobile Good Food Market, Canadá

Outro exemplo - que também se alia com o movimento dos food trucks - é o Mobile Good Food Market. Um sacolão itinerante que tem como proposta levar alimentos mais nutritivos para a população mais carente de Toronto, no Canadá. Uma parceria entre a organização sem fins lucrativos, FoodShare, e a prefeitura da cidade.

Punt de Sabor, Espanha

O Punt de Sabor em Valência, Espanha, é um exemplo de uma parceria público-privada bem-sucedida. A união entre os agricultores da região e o Ministério da Agricultura possibilitou a concepção de um sacolão onde são vendidos legumes, verduras e frutas de produção local. O projeto tem como objetivo incentivar a prática agrícola local bem como a alimentação saudável da população.

7. O outro lado da alimentação saudável

Aqui em BH falta nutricionista que não é modista.

Hoje em dia, muita gente corta o glúten por moda. E aí acha que é isso que tá fazendo diferença. Mas acaba que quando você corta o glúten, corta junto muita besteira, e é isso que causa impacto.

O tempo inteiro as pessoas falam o que pode e o que não pode. Aí eu desisti de acompanhar.

Vivemos hoje um terrorismo nutricional. As pessoas não sabem mais o que comer.

Quem afirma isso é Sophie Deram, doutora em Endocrinologia e contra dietas alimentares. Para ela, dietas muito restritivas e que privam o organismo de certos nutrientes só causam estresse ao corpo. Pessoas que não têm restrições alimentares - intolerâncias, alergias e a doença celíaca -, mas mesmo assim excluem alimentos tidos como nocivos para a saúde, como açúcar, glúten e lactose, podem até obter um bom resultado a curto prazo. No entanto, Sophie chama atenção para o longo prazo. Segundo estudos, 90% a 95% dos seguidores de dietas restritivas voltam a engordar. E pior! O peso passa a ser maior que o de antes da dieta.

Quando a preocupação vira obsessão

Você já ouviu falar no termo ortorexia?

A ortorexia é um distúrbio alimentar qualificado pela obsessão de comer apenas alimentos tidos como saudáveis. O ortoréxico passa a limitar a sua alimentação de maneira exagerada. São cortados da sua dieta grupos alimentares importantes para uma nutrição de qualidade, resultando na falta de nutrientes necessários para um corpo realmente saudável.

O distúrbio ainda é pouco conhecido, mas já afeta 2% da população dos Estados Unidos. Uma das vítimas mais famosas da ortorexia é a blogueira Jordan Younger. A americana, que mantinha um blog sobre veganismo, precisou de meses para reconhecer que a sua dieta estava radical demais:

Eu não era a figura perfeita da saúde que eu dizia ser. Não conseguia dormir porque ficava muito ansiosa, pensando no que iria comer no dia seguinte e quais comidas tinha que evitar. Meu cabelo estava ralo, minha pele estava uma bagunça e minha face, macilenta. Mas o pior sinal foi quando parei de menstruar. Num primeiro momento, disse para mim mesma que isso não tinha nada a ver com a minha dieta, mas os meses foram passando e eu comecei a me preocupar. Eu sabia que tinha um problema, mas não tinha um nome para ele. Não era como as categorias tradicionais de anorexia e bulimia. A minha obsessão era com alimentos saudáveis, puros, limpos, vindos da terra, e um medo de tudo que poderia causar algum dano para o meu corpo.

Jordan passou por tratamento com terapia e acompanhamento profissional, e hoje seu blog é sobre um estilo de vida equilibrado. Sua saúde está recuperada, mas, mesmo assim, ela diz ainda sofrer com “dias assustadores” perto de certas comidas.

Mapa da ortorexia

Sinais:

  • Examina cada detalhe do que se encontra em cada alimento

  • Busca obsessiva por alimentos saudáveis

  • Preocupação excessiva com o preparo da refeição

  • Passa a evitar eventos sociais para ‘não cair em tentação’

  • A dieta ‘saudável’ passa a ser o centro das atenções

  • Perdeu muito peso recentemente sem seguir conscientemente uma dieta

O ponto de equilíbrio

Redescobrir a autoestima pela alimentação. Isso é transformador.

Na minha casa e na casa dos meus parentes, fazemos tudo em volta da mesa. Comida é relacionamento.

Será que alguém da minha idade tem um livro de receita? Eu tenho. Anoto, testo e risco o que não dá certo.

Nutrir o corpo. E não só de nutrientes. De sabor também.

É também pelo prazer. Não é bom comer cápsula. Bom é ver o prato colorido.

Uma outra tendência apontada pelo Brasil Food Trend 2020 é a busca pela sensorialidade e prazer. As pessoas têm valorizado cada vez mais experiências gastronômicas que acabam por disseminar sabores regionais e produtos locais. As harmonizações entre refeições e bebidas têm se mostrado um evento social bastante comum nas grandes cidades.

O que se tira disso tudo é que comer é uma atividade social e deve ser prazerosa. E informação e bom senso são boas ferramentas para alcançar uma alimentação equilibrada e saudável.

Documentários no Netflix sobre alimentação:

programas de culinária na televisão:

8. O futuro da alimentação

Nunca vamos abrir mão do prazer de preparar uma refeição, mesmo que seja usando uma impressora e não um fogão. A combinação de aromas e cores de um prato e o convívio ao redor da mesa com a família e os amigos são tão importantes hoje quanto há 3.000 anos.

Christophe Pelletier, canadense autor do livro Future Harvests

Já falamos do cenário atual da alimentação saudável. E o futuro? O que você acha que estaremos comendo daqui 30 ou 50 anos?

A próxima maior revolução de comida será a agricultura vertical, seu cultivo será controlado por inteligência artificial. Edifícios ao invés de uma terra horizontal: plantação hidropônica para frutas e legumes e carne in vitro

Essa é uma afirmação Ray Kurzweil,
diretor de engenharia da Google e estudioso do futurismo.

Para Ray, a agricultura vertical trará diversos benefícios:

Outros futuristas apontam várias possibilidades de caminhos, como a impressão 3D de refeições ou até mesmo alimentos produzidos em laboratórios, como composto de ervilhas que é processado de forma a ficar semelhante à carne. Além disso, vários apontam que a proteína como um item muito importante da alimentação é um modelo que está ficando obsoleto e esperam que os grãos, junto de legumes, vegetais e cereais sejam a base da alimentação.

O papel da carne na alimentação é um grande ponto de atenção. Alguns estudiosos, inclusive, trabalham com a possibilidade de que os alimentos produzidos podem ter sabor equivalente ao da carne, mas sem a necessidade de matar animais para isso. Outros já apostam em uma outra tendência: os insetos. Vários países já investem na produção de insetos e outros micro-organismos propícios para a alimentação que podem servir como alternativas para as refeições do futuro.

O conjunto de estudiosos californianos KOED Science também aponta algumas tendências:

O que tem na sua comida?

Cada vez mais os consumidores se preocupam com o histórico dos alimentos: local de produção, presença ou não de substâncias específicas etc. Várias empresas já estão desenvolvendo aplicativos para a leitura desse tipo de informação.

Potencializando o seu conhecimento sobre alimentos

Existem informações por todos os lados sobre alimentação saudável, benefícios e malefícios de determinados produtos e sugestões de dieta. Que tal organizar todas elas? É a proposta de algumas desenvolvedoras de aplicativos.

Ajudando você a cozinhar

Equipamentos inteligentes podem aparecer em breve na sua casa. Já pensou em um forno inteligente que envia uma notificação quando o seu prato está pronto e ainda ilustra com fotos?

Novos processos de agricultura

O controle do processo de agricultura está ficando cada vez mais preciso com o uso de softwares. Quando associados a sensores que avaliam as condições do solo das plantações, o processo ficará muito mais inteligente.

Escassez e preços flutuantes de alimentos são problemas do passado

Novas tecnologias no setor de iluminação podem iluminar cultivos geneticamente modificados com a quantidade controlada de luz. Essas plantações são mais resistentes e apresentam crescimento mais rápido, com melhor rendimento. Monitoradas 24h/dia, o risco de proliferação de doenças é reduzido e, assim, o risco de perda da safra é menor.

As apostas para o futuro da alimentação são inúmeras. O chef brasileiro Alex Atala disse, na revista Galileu, que as pessoas comem de três maneiras: a primeira delas une o alimento como item básico de sobrevivência com o prazer em comer e preparar refeições.  A segunda maneira vincula-se a uma alimentação funcional, na qual as pessoas preocupam-se com o equilíbrio de vitaminas e nutrientes. A terceira, mais defendida pelos brasileiros, é a comida cidadã. O termo é usado para se referir a alimentos que são locais, uma alimentação em prol da sociedade. Ao optar por alimentos produzidos em regiões próximas à sua cidade, você está alimentando uma logística mais limpa. Afinal, é menos combustível utilizado e os recursos gerados sustentam a região.

Alimentação mais responsável, mais sustentável, um maior cuidado com os recursos. Tudo sempre aliado à tecnologia.

Se eu tivesse um pouco mais de certeza, eu não hesitaria em cancelar o meu plano de saúde. Estou me cuidando para isso. Para precisar de cada vez menos medicamento.

Outra aposta que já foi muito explorada por futuristas, mas que vem perdendo a força, é a da substituição da alimentação por cápsulas, que supririam o organismo de todos os nutrientes que precisa para se sustentar. Mas será que é simples assim?

De acordo com Michael Pollan, existem duas razões pelas quais essas previsões ainda não são realidade no dia de hoje: primeiro, porque não sabemos o suficiente sobre nutrição para simular uma dieta que com certeza nos manterá saudáveis a longo prazo. Segundo, porque a necessidade humana de se alimentar é bem mais complexa que sabemos.

Além disso, sabemos que a alimentação não acontece apenas para abastecer os nossos corpos dos nutrientes que ele precisa. Entram na conta o prazer, a comunhão, a sociabilidade, a identidade e muitas outras razões que pesam na hora de fazer escolhas.

E você? Em qual tendência aposta?

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