Amor

Desconexão x Relacionamento: O futuro do amor

O mundo está passando por uma transição e, à medida que os paradigmas vão sendo questionados, os padrões se modificam para encontrar novas possibilidades. E o amor não ficou de fora dessa mudança. Ele tem ganhado novos formatos, novas configurações e tecnologias. Como construir relacionamentos nesse novo mundo?

MAI.2016

As relações afetivas e sociais são causadoras de uma grande parte da insatisfação das pessoas. O leque de possibilidades para o amor se abriu com noções mais amplas a respeito de feminismo, gênero, amor livre, poliamor e assexualidade. Mas se o amor se torna múltiplo e fluido, muitas vezes ele se torna, também, líquido e efêmero.

As noções sobre o amor mudaram. As possibilidades de relacionamento também. Mas ainda estamos presos à crença do amor romântico. O casamento tradicional faz parte da nossa formação e os filmes, novelas, a publicidade e a indústria cultural influenciam nossos ideais de relacionamento, nos fazendo imaginar um amor que dura para sempre, sem conflitos, sacrifício e tédio.

O amor romântico é baseado em ideais e, quando eles não são alcançados, o encanto se quebra. E se a tecnologia nos acelera, ampliando possibilidades e nos deixando mais livres, nossos encantos também são desfeitos mais rapidamente. As possibilidades de conexão são muitas, mas a desconexão e a efemeridade acabam ganhando espaço.

Segundo o historiador Alvin Tofler, os analfabetos do século XXI são os que não sabem aprender, desaprender e reaprender. O amor do futuro exige que alguns conceitos sejam desaprendidos, abrindo possibilidades para descobertas. Será que estamos preparados para viver a multiplicidade?

Por Marcelle Xavier, idealizadora do movimento Love Hacking e hacker do amor.

1. Conceitos de amor que mudaram o mundo

Amor Livre

50.000 a.C. a 10.000 a.C.

No período paleolítico, quando não se sabia do vínculo entre sexo e procriação, a ideia de casal e família era desconhecida. Assim, cada mulher pertencia a todos os homens e cada homem a todas as mulheres. O matrimônio se dava por grupos e as crianças tinham vários pais e mães.

Família

10.000 a.C. a 4.000 a.C

Quando o estilo de vida nômade começou a ser menos comum, constatou-se, então, que o sêmen masculino era o responsável pela fertilização da mulher. Surgiram aí as primeiras noções de casal, família e herança que duram até hoje. A restrição sexual começa a valer para a mulher, mas não para o homem, criando também o conceito de família paternal e a aceitação da infidelidade masculina.

Amor Grego

Século V a.C.

Na Grécia, os termos homossexual e heterossexual eram desconhecidos e, para eles, todos os indivíduos podiam ter preferência por homens ou mulheres. Todos os homens tinham uma vida sexual dupla: uma privada e discreta, orientada para as mulheres, e uma pública, orientada para os homens.

Patriarcado

3.100 a.C. até 600 a.C.

Religião e ciência unidas fizeram com que o patriarcado fosse estabelecido no Ocidente. O antagonismo entre os sexos gerou relações sem amizade e companheirismo, e as relações conjugais ganharam um quê de condescendência e obrigação, gerando desconfianças e ressentimentos.

Casamento Infeliz

Século I até século XI

A religião começa a ganhar cada vez mais força, transformando relacionamentos sociais e sexuais em pecado, condenando os prazeres do corpo e classificando a homossexualidade como um risco. As noções de casamento e sexo são criadas e o sexo só deve ocorrer na esperança de gerar gravidez. O casamento, aqui, era dissociado na noção de afeto.

Amor Cortês

Século XII

O amor cortês é a primeira manifestação semelhante ao amor que conhecemos atualmente. No entanto, ele não era ligado ao casamento, uma vez que o amor sensual e o desejo eram sinônimos de desordem, ou seja, não deveriam ser algo do matrimônio. O amado é precioso e difícil de possuir, então é uma aventura. É liberdade.

Casamento por Amor

Século XVIII

A Revolução Industrial transformou não só as noções de trabalho, mas o entendimento de amor e casamento. Com a industrialização, a maioridade econômica passou a vir mais tarde, o que fez com que os casamentos também se atrasassem. Assim, surgiu a ideia de que o casamento deveria ser o resultado do amor romântico. Se antes o casamento por amor era inadmissível, o casamento sem amor virou alvo das críticas.

Amor Digital

2000

Depois da pílula anticoncepcional, os conceitos de feminismo, sexo livre, homossexualidade, entre outros, se espalham pelo mundo com transparência e de forma descentralizada, graças à internet. A sexualidade passa a ser aceita de forma dissociada da procriação, abrindo espaço para o movimento gay. O casamento perde força, com muitos casais que moram juntos sem a necessidade do contrato. O amor fica tensionado sempre pelo desejo de simbiose com o parceiro e a busca pela liberdade. O "para sempre" não é mais uma obrigação e a experiência amorosa pode ser fugaz e provisória.

O que os mineiros entendem como amor?

Conversamos com 100 mineiros residentes na região metropolitana de Belo Horizonte para descobrir crenças e hábitos sobre amor e relacionamentos. As informações levantadas serão apresentadas ao longo desta edição do Atualize-me.

2. Amor de geração em geração

Veteranos

1925-1945

A população nascida entre 1925 e 1945 viveu sua grande crise econômica durante a Segunda Guerra Mundial, fazendo com que a predisposição a seguir regras e a rigidez fossem muito bem aceitas. Família, trabalho e moral andam juntos, e a mulher era feliz no casamento com um marido protetor, chefe da família. A boa esposa mantinha a casa em ordem e sua sexualidade contida.

Baby Boomers

1946-1965

Como nasceram no pós-guerra, são a geração que deu origem ao conceito de paz e amor, indo contra conflitos armados a todo tempo. Por serem muito contestadores, motivaram mudanças importantes, como luta pelos direitos de negros, homossexuais e mulheres. As noções de sexo livre também começam a aparecer e as escolhas de parceiros já eram menos por conveniência e mais por amor. Esperava-se que o amor, assim como o desejo sexual, fossem recíprocos e para sempre.

Geração X

1966-1980

Nessa geração houve a junção do que conquistaram os baby boomers com a revolução causada pela pílula anticoncepcional. Surgem, então, as noções de prazer sem culpa. É uma geração que viu um grande número de divórcios e praticou sexo de forma mais livre. Como pais solteiros, workaholics e superprotetores, deram menos valor à família da forma como era composta anteriormente.

Geração Y

1981-1995

A geração que também é conhecida como Geração Internet – os famosos milennials – cresceu com afinidade ao mundo digital e teve maior acesso às novidades, sempre. Como foram superprotegidos pelos pais, são mais individualistas e egoístas, mas também são uma geração que gosta de compartilhar e co-criar. Muito ansiosos e com medo de rejeições, é a geração que faz mais uso dos apps de relacionamentos.

Geração Z

1996-2010

Nascidos completamente imersos no mundo digital, vivem em um mundo entendido como muito veloz. São menos egoístas que a geração anterior e entendem a fluidez e a complexidade com muita naturalidade: nada precisa ser fechado ou definido. Assim, noções de amor livre, gênero fluido, desapego e experimentação são assimiladas com facilidade.

Amor na era digital

3. Novos movimentos: Tecnologia e Desconexão

Com o surgimento de artefatos virtuais que permitem e facilitam a conexão entre as pessoas, muito se tem falado sobre a desconexão que eles, paradoxalmente, causam. Especialistas apontam a perda da capacidade de conversação face a face pela geração Instant Messenger. A perda da empatia vem sendo apontada como relevante efeito do cenário de distanciamento dos sentimentos do outro.Nesse cenário digital, o Ghosting surge como um novo código comportamental no encerramento dos relacionamentos. Estudos atribuem a facilidade de ignorar e bloquear as pessoas das nossas vidas, sem explicações ou um fechamento, aos apps de relacionamentos e às redes sociais que acabam por difundir uma comunicação impessoal e superficial, à qual estamos nos acostumando. O medo do confronto, que permeia a geração Y, vem sendo apontado por psicólogos como a razão principal desse comportamento.

Fonte: Nora Crotty - Revista Elle

Também se mostra crescente e cada vez mais comum o rápido descarte como efeito da multiplicidade de escolhas para um possível parceiro proporcionada pelas “vitrines de pessoas” dos apps de relacionamentos. O uso dessas tecnologias no plano das relações amorosas tem nos tornado imediatistas e despertado um senso de urgência nas conexões. O que, visivelmente, nos coloca em uma posição cômoda e distante do outro, na qual não nos relacionamos verdadeiramente com as pessoas, não nos envolvemos suficientemente com elas para conhecê-las efetivamente e assim culminamos em relações com pouca conexão e, consequentemente, líquidas e superficiais.

Quais são os aplicativos de relacionamento mais populares?

Tinder

Paquera

Wechat

Grindr

Paquera Gay

Brenda

Down

Amizade Colorida

Coffee Meets Bagel

3nder

Experiências Sexuais

Whiplr

LovePalz Club

A rede social LovePalz Club tem como objetivo conectar pessoas para fazerem sexo virtual, controlando sextoys à distância. Através do seu site é possível criar perfis, conectar-se com amigos e controlar brinquedos sexuais nesses novos amigos. Uma vez que dois usuários se conectam, eles podem realizar atividades sociais como conversar via chat ou vídeo, além de possibilitar o toque físico mesmo a distância. Essa combinação de brinquedo interativo e plataforma social permite a interação entre amantes ou até completos desconhecidos.

Mineiros e os aplicativos de relacionamento

4. Maneiras de amar

Aquele verso "consideramos justa toda forma de amor" nunca fez tanto sentido como atualmente. Novas noções de sexualidade estão ganhando cada vez mais espaço e novas formas de amor vão sendo mais aceitas. Conheça alguns desses conceitos:

  • Gênero Neutro

    As noções de feminilidade e masculinidade estão sendo pouco a pouco desconstruídas e o mundo está acordando para as novas possibilidades de gênero e para a possibilidade de nem mesmo se precisar escolher. Segundo pesquisa inglesa realizada pelo YouGov, um a cada dois jovens de 18 a 24 anos não se considera heterossexual ou homossexual, mas sim flutuando entre esses conceitos.

    A polarização e o pensamento binário (homem ou mulher, heterossexual ou homossexual) é o modelo institucionalizado em nossa cultura para definir gênero baseado na lógica industrial. A ascensão de uma era pós-digital traz consigo uma nova lógica, menos linear e mais plural, menos dualista e mais múltipla. A C&A mostra sinais de compreensão do gênero neutro com a campanha Tudo lindo & misturado, que apresenta a linha de roupas sem gênero. Outra marca que representa esse movimento é a Louis Vuitton, ao convidar Jaden Smith, filho de Will Smith, para a campanha feminina da Louis Vuitton.

  • Poliamor

    Mais de um milhão de citações sobre o poliamor são encontradas na internet e, segundo a especialista Regina Navarro, a tendência é que, com o passar dos anos, cada vez mais as pessoas abram suas relações. O poliamor parte do princípio de que nós, seres humanos, não somos biologicamente monogâmicos e que é possível sentir desejo e amor por mais de uma pessoa ao mesmo tempo. O poliamor traz acima de tudo a noção contrária do amor romântico, que prega a exclusividade total e a fusão entre os amantes, o que abre a possibilidade de eliminar possessividade, controle e ciúme das relações.

    Mas o amor livre não se encerra no poliamor e pode ser visto, acima de tudo, como um movimento para começar a entender as relações de outras formas e se permitir viver o amor para além da norma padrão que aprendemos como certa. O amor livre abre espaço para um amor em que existe liberdade para criar a relação que faz mais sentido para cada casal, em cada contexto. Essa percepção pode alterar profundamente a forma de conexão entre os casais, mesmo aqueles que optarem pela monogamia.

  • Assexualidade

    O conceito de assexualidade é recente e ainda está em construção, mas se baseia na falta de atração sexual por outras pessoas e na sua compreensão como mais uma opção sexual. A noção de assexualidade vem ganhando força nos últimos anos com a AVEN (Asexual Visibility and Education Network), fundada em 2001 como uma rede de acolhimento e orgulho assexual, e através do Platonic Partners, um site para encontrar pessoas que compartilham da assexualidade. No Brasil, a primeira parada assexual aconteceu em 2015 em São Paulo, com uma ação de distribuição de abraços com o intuito de derrubar a ideia de que pessoas assexuais são frias.

    Essa noção é contrária à ideia de amor romântico, que traz consigo a ideia de que a felicidade está diretamente ligada ao encontro passional e a viver um grande amor. A assexualidade traz em algum nível a desmistificação do amor e do sexo, a desassociação de felicidade com estar em uma relação amorosa e materializa a noção de liberdade para ser e viver o amor como faz sentido para cada um.

A sexualidade para os mineiros

5. Mulheres e gênero: sinais de mudança?

Desde o surgimento do patriarcado, a mulher assume uma posição inferior nas relações e, mesmo que o machismo tenha mudado de forma, ele ainda está muito presente no modo como homens e mulheres se relacionam. A mulher ainda carrega o peso da cobrança da sociedade para estar em uma relação, o que pode aumentar a tendência a submeter-se a relações abusivas ou insatisfatórias. O machismo não prejudica somente mulheres, mas também homens, ao desenhar papéis muito claros sobre o que é ser homem e o que é ser mulher, bem como os papéis que cada um deve exercer nas relações. Em um nível mais subjetivo, o machismo é capaz de minar com a possibilidade de expressão e conexão genuína. 

Com a internet e vários movimentos de empoderamento feminino no Brasil e no mundo, principalmente nos últimos três anos, o feminismo vem ganhando cada vez mais força. Com o aumento da consciência sobre o tema, homens e mulheres tem se forçado a quebrar suas amarras e, pouco a pouco, abraçar a igualdade entre os gêneros. Abandonar a ideia de escassez no amor, que traz consigo a posse e o apego nas relações, é em algum nível abandonar o machismo. Por isso, o feminismo é também um movimento capaz de promover profundas mudanças no modo como nos relacionamos, e só através da igualdade é possível estabelecer relações genuínas, verdadeiras e amorosas entre os sexos.

Oficina de desprincesamento

Oferecido na Casa de Cultura da cidade de Iquique, no Chile, a oficina tem como objetivo apresentar a meninas de 9 a 15 anos uma reflexão sobre os papéis de gênero de modo que elas percebam que nenhuma mulher precisa de um príncipe encantado para ser feliz. Através de debates, atividades manuais, cantorias e até aulas de defesa pessoal, a ideia é estimular a desconstrução do amor romântico e a reflexão sobre o papel da mulher e os conceitos de beleza e felicidade femininas.

Novos contos de fadas

Historicamente os contos de fadas trazem histórias parecidas, baseadas em estereótipos de beleza e perpetuando o mito do amor romântico. A psicóloga brasileira Janaína Leslão resolveu então adaptar o clássico conto de fadas à realidade. Em seu livro, A princesa e a costureira, a diversidade dá o tom. A princesa Cíntia tem pele negra, o príncipe tem dreads e sua irmã é deficiente física. Na história, Cíntia se apaixona pela costureira que iria fazer seu vestido de noiva e recebe grande apoio do noivo.

Frozen e o (novo) amor verdadeiro

Ainda na contramão da indústria cultural infantil e seus contos de fadas que associam felicidade a amor romântico, Frozen trouxe outra perspectiva de amor. No desenho da Disney, a personagem principal é curada não pelo beijo do príncipe, mas sim pelo amor que sente pela irmã e seu desejo de salvá-la do perigo. E a internet respondeu com um pedido, dar uma namorada para a princesa Elsa no próximo filme. Através da hashtag #giveelsaagirlfriend, milhares de usuários se uniram à campanha pedindo mais diversidade nos desenhos da Disney.

O sonho de ser princesa ainda existe?

Apesar das muitas iniciativas que surgem para mostrar a força e autossuficiência feminina, há que se considerar que ainda existem muitas meninas que sonham em ser princesas. Pelo menos, essa é a aposta da “Escola das Princesas”, projeto criado para compartilhar valores e princípios morais e sociais típicos das princesas representadas em clássicos como A Bela Adormecida, Branca de Neve e Cinderela. A missão da Escola é “oferecer serviços de excelência que propiciem experiências de natureza intelectual, comportamental e vivencial do dia a dia da realeza, para meninas com idade entre 4 e 15 anos que sonham em se tornar princesas e fazê-las resgatar a essência feminina que existe em seus corações”.

 

6. As marcas e as novas configurações do amor

Será que as marcas já entenderam que o amor passou a ter várias configurações? Encontramos alguns exemplos de campanhas que já abordam algumas dessas questões. E como o cinema sempre se adapta com mais agilidade, sugerimos também alguns filmes para quem quer ver mais sobre o amor.

Na Publicidade

Cerveja

As marcas de cerveja, famosas por exibir mulheres gostosas e homens normais, também estão se reinventando. Com base em uma pesquisa com 5 mil consumidores entre 21 e 35 anos, a Heineken concluiu que o consumo responsável de bebidas é bem visto pelos novos consumidores. Foi assim que nasceu a campanha global “Moderate Drinkers Wanted” que apresenta jovens mulheres dispostas a encontrar homens sóbrios, ignorando aqueles que exageraram no consumo alcóolico. A propaganda inverte não só a lógica de estimular o consumo como também a lógica machista ao colocar homens e mulheres em pés de igualdade, e dar destaque ao protagonismo feminino na paquera.

Família

O Boticário é um grande apoiador das novas formas de amor e no Dia dos Namorados de 2015 lançou um comercial que gerou polêmica por apresentar casais gays. A campanha incitou reações homofóbicas em suas redes sociais e repercutiu uma denúncia no Conar com reclamações de consumidores que consideraram a peça “desrespeitosa à sociedade e à família”. Mas a marca não para por aí e se mantém firme no propósito de “abordar com respeito e sensibilidade a ressonância atual sobre as mais diferentes formas de amor – independentemente de idade, raça, gênero ou orientação sexual”. Além de apoiar o amor através de campanhas publicitárias, o Boticário também financiou o documentário Precisamos falar com os homens? em parceria com a ONU Mulheres Brasil.

Relacionamento

A C&A aposta em novas configurações do amor em sua campanha mais recente para o Dia dos Namorados. O Dia dos Misturados mostra que existem infinitas formas de amor: amor drama Hollywood, amor comédia brasileira, amor novela, amor bandido, inocente. A marca completa dizendo que "O que importa é estar misturado. É sentir borboletas no estômago e perder o chão. Amar é isso aí, se misturar."

No Cinema

Her

O filme retrata a história de amor entre Theodore Twombly e o sistema operacional Samantha e, de forma original e sensível, aborda o amor do futuro, a partir do viés da intimidade crescente entre homem e tecnologia. O filme se desdobrou ainda em um documentário sobre o amor no nosso tempo, no qual o diretor Spike Jonze e seu amigo Lance Bangs registraram histórias e opiniões sobre o tema a partir de diferentes perspectivas.

Medianeras

O filme argentino relata Buenos Aires na era do amor digital e a consequente solidão contemporânea. O filme explora o afastamento causado pela cultura virtual e a arquitetura horizontal que nos isola e refugia do convívio social. Uma solidão tão corriqueira que muitas vezes passa despercebida e corrobora com a nossa dificuldade de perceber uns aos outros.

Garota Dinamarquesa

Destaque no Oscar e no Globo de Ouro de 2016, o filme baseia-se na história de Einar Mogens Wegener, a primeira pessoa a se submeter a uma cirurgia de redesignação sexual no mundo, na década de 1920. Aclamado por alguns e criticado por outros, o filme desempenha um importante papel na aceitação e compreensão de gêneros para além da heteronormatividade e retrata a tendência de adotar um olhar mais sensível e empático não só em relação aos transexuais como também em relação ao amor.

Azul é a cor mais quente

O filme francês é acima de tudo uma história de descoberta do amor verdadeiro, sem máscaras, sem maquiagens, sem o ilusionismo envolto no amor romântico. Para retratar a história de amor vivida por Adele, uma garota de 15 anos, de modo intimista e real, o diretor utiliza recursos diversos como a ausência de maquiagem nas personagens, o ângulo escolhido pela câmera e até o tom documental em quase três horas de filme. Além de abordar o relacionamento homoafetivo, o filme vai além ao mostrar o amor com todas as suas incertezas e dificuldades.

Vicky Cristina Barcelona

O filme de Woody Allen conta a história de duas americanas, Vicky e Cristina, que viajam a Barcelona de férias e se encantam pelo pintor Juan Antonio. Ainda em uma relação com sua ex-esposa, os quatro formam um “quadrado” amoroso muito bem representado pelo humor cínico e debochado do diretor, que faz com que o espectador minimamente se questione sobre o verdadeiro significado de amor.

7. Tendências na era do amor tecnológico

Enquanto a tecnologia e a liberdade sexual contribuíram para o aumento considerável das relações líquidas e instantâneas, ao mesmo tempo cresce o número de insatisfeitos com a falta de conexão dos dias de hoje. Nesse cenário, observamos o surgimento de tendências e de grupos que vem buscando formas de sair desse modo "piloto automático" para ser possível voltar a compreender, acreditar e viver o amor em sua plenitude.

  • #01 Movimento Slow

    Provavelmente você já ouviu falar do slow food, ideia contrária ao famoso modelo americano do fast food. O desejo de aproveitar verdadeiramente o momento não se restringe apenas ao ato de comer. O chamado “Movimento Slow abrange todas as áreas da vida e sua filosofia prega a desaceleração diária, combatendo assim o descarte de bens materiais, atividades e relacionamentos apenas pelo desejo de substituí-los, a falta de tempo para pensar, refletir e sentir e a perda de prazeres cotidianos.

    A plataforma Review

    O Review é uma plataforma que promove o Slow Living. Por meio de palestras e mesas redondas, conteúdo exclusivo e serviços de consultoria, objetiva difundir o conceito do movimento e auxilia pessoas a realmente diminuírem o ritmo.

    "Essa questão do descartável que começou com os produtos que a gente consome é vista também nos relacionamentos. O amor foi ficando essa coisa mais supérflua de você se preocupar menos e valorizar menos e passou a ser cada vez mais normal passar de relações duradouras para poder conhecer cada vez mais pessoas. O movimento slow pode ser muito inspirador nessa questão dos relacionamentos para a gente se aprofundar mais nas relações e para nos fazer parar pra pensar e valorizar o que é essencial e dedicar tempo e atenção a isso.”

    Bruna Miranda, criadora da plataforma Review.

  • #02 A busca (tecnológica) pelo autoconhecimento

    Meditação, terapia, religião. Esses são alguns dos caminhos mais comuns na busca pelo autoconhecimento. Mas, de acordo com a escola de futurismo do Google e da Nasa, a Singularity University, até 2029 essa imersão ganhará uma opção ainda mais eficaz e high tech. Segundo estudiosos, será possível criar um mapa avançado do nosso cérebro, identificando regiões e comportamentos desconhecidos que nos tornarão grandes conhecedores de nós mesmos.

    O Atlas das Emoções

    Aos ansiosos de plantão, e felizmente, seu processo de autoconhecimento pode começar agora. O líder do budismo tibetano, Dalai Lama, desenvolveu, em parceria com o Dr. Paul Ekman, psicólogo responsável pela animação Divertida Mente, o Atlas das Emoções. O projeto custou cerca de US$ 750 mil, pagos pelo Dalai Lama, e contou com o apoio de 149 neurocientistas, psicólogos e pesquisadores da ciência por trás das emoções. Lançada em 2016, a plataforma permite uma viagem virtual por 5 emoções humanas universais: a raiva, o medo, o desgosto, a tristeza e a satisfação. O intuito é ajudar as pessoas a navegarem pelo caos dos seus sentimentos e, assim, encontrarem o caminho para a paz e a felicidade.

  • #03 Amor transparente

    Esqueça as cantadas clichês, as manipulações, as mentirinhas e os orgasmos falsos. O amor do futuro será cada vez mais transparente. Ray Kurzweil, inventor e futurista com 86% de acerto em suas previsões, afirma que, em 2030, seremos capazes de inserir nano robôs nos nossos cérebros que irão conectar nosso neocórtex à nuvem. Isso significa dizer que será possível realizar comunicação cérebro a cérebro: um diálogo direto sem vícios de linguagem e sem nenhum ruído. Na prática, isso significa poder saber o que nossos parceiros estão realmente sentindo e pensando, criando assim um nível de intimidade humana jamais experimentada.

    O aparelho Thync

    O Thync é um wearable que ativa partes do sistema nervoso para criar o estado mental que se deseja alcançar. Através desse tipo de tecnologia torna-se possível acessar sentimentos, emoções e pensamentos totalmente rastreáveis e expostos.

  • #04 Felizes para sempre

    Nem só de efemeridade vive o amor. De acordo com a pesquisa Estatísticas do Registro Civil 2014, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), depois de um longo período de queda, a taxa de nupcialidade passou de 6,9 por mil habitantes, em 2013, para 7,1 por mil habitantes, em 2014.

    O desejo de se casar não aparece apenas em terras brasileiras. Em um estudo recente conduzido pela NYU, 90% dos estudantes universitários afirmaram desejar se casar, sendo ser um bom pai um dos principais objetivos da vida desses jovens. Será que essa nova geração, tão liberal, voltou a acreditar no “felizes para sempre”?

    Social Robot Bina 48

    Até 2020, haverá tecnologia suficiente para processar informação no mesmo nível que as mentes humanas o fazem. É a partir dessa premissa que Martine Rothblat, empreendedora e escritora, vem trabalhando para desenvolver uma versão robô de sua amada esposa, Bina. Seu trabalho consiste em criar um armazenamento de informações sobre comportamento, personalidade, recordações, sentimentos, crenças, atitudes e valores que tornará possível reviver a consciência eminente no nosso arquivo mental. A versão Bina 48 foi programada pela Hanson Robotics e já possuí os trejeitos e personalidades da esposa de Martine. Agora, seu desafio é desenvolver sistemas operacionais conscientes de modo que todas as pessoas do mundo possam criar clones de suas próprias mentes.

Mineiros felizes

8. O futuro do amor

O amor está passando por grandes transformações. A forma como esse sentimento tem sido experimentado hoje não é a mesma dos tempos dos nossos pais e não será a mesma vivida por nossos filhos. Tais mudanças são crescentes e ocorrem em ritmo exponencial.

Tudo indica que as relações do futuro serão menos ilusórias e mais transparentes, menos definidas e mais fluidas, menos possessivas e mais livres. E a tecnologia, que por algum tempo nos desconectou uns dos outros, vem cada vez mais para ser não um substituto do homem e do contato humano, mas um novo braço capaz de nos tornar mais potentes, conectados e amorosos.

A evolução cria estruturas e padrões que ao passar dos anos são mais complicados, mais qualificados, mais criativos e mais capazes de expressar sentimentos elevados, como sermos mais amorosos. Estamos nos movendo na direção das qualidades divinas descritas como sem limites. Nós seremos mais amorosos, mais sexy, melhores em expressar sentimentos amorosos, e iremos adicionar mais níveis na hierarquia de módulos do cérebro criando níveis mais profundos de expressão.

Ray Kurzweil em discussão recente na Singularity University

Mas, como ser parte real dessa mudança?

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