Cirurgia Plástica

Quando pensamos na complexidade de uma cirurgia plástica, fica até difícil acreditar que sua existência remonta aos tempos antigos. Dos transplantes de pele e reconstruções de nariz realizados no século VIII a.C. até aqui, acompanhamos não apenas a evolução dos procedimentos estéticos, mas também a mudança dos padrões a serem alcançados. Nesse cenário, a vaidade surge como elemento cada vez mais presente na equação da beleza de ontem e de hoje.

MAR.2016

Simular resultados de cirurgias em aplicativos de celular. Ser operado por cirurgiões robôs. Rejuvenescer 10 anos em poucos segundos. Aquilo que antes parecia restrito à ficção já é realidade. No entanto, apesar do processo de evolução das técnicas cirúrgicas ter trazido inúmeras novidades e melhores perspectivas de resultados para os pacientes, a motivação parece continuar a mesma de tantas gerações que nos precederam: controlar os efeitos do tempo.

1.500 a.c.

Procedimentos de reparação de nariz quebrado são citados no Papiro Edwin Smith, texto de medicina da antiguidade egípcia e o mais antigo tratado de cirurgia traumática conhecido na atualidade.

Século VI a.C.

Sushruta, médico indiano, realiza transplantes de pele e reconstruções nasais. Na época, a amputação de nariz era um castigo para certos crimes.

Século I a.C.

Os romanos iniciam a realização de procedimentos cirúrgicos estéticos por meio de técnicas simples, como a reparação de orelhas danificadas.

Século IV

O médico bizantino Oribasius escreve sobre diferentes procedimentos de cirurgia plástica em sua enciclopédia Synagogue Medicae. O trabalho teve grande influência nas técnicas atuais, principalmente para controle de feridas e reconstrução facial.

Século XV

Após um longo período de decrescimento da cirurgia plástica no mundo, um novo relato surge na Europa. Heinrich von Pfolspeundt descreveu o processo de construção nasal por meio da retirada de parte traseira do braço e sutura.

Século XVIII

A cirurgia plástica começa a ganhar popularidade à medida que os europeus passam a se interessar pelos procedimentos reconstrutivos de nariz. O objetivo era melhorar  a aparência dos narizes impactados por alguma enfermidade ou durante o combate.

Século XIX

Os procedimentos se tornam menos dolorosos e complicados com a aparição da anestesia cirúrgica efetiva.

1914

A Primeira Guerra Mundial fez da cirurgia plástica uma necessidade. Durante o confronto, cirurgiões de diversos países se uniram para atender soldados e civis afetados. Esses profissionais formaram uma rede de especialistas em cirurgias bucais, gerais, dentais, oftalmológicas e neurológicas, sendo, por isso, considerados os pais da cirurgia plástica moderna.

1931

Fundação da Associação Norte-Americana de Cirurgiões Plásticos e Reconstrutivos (ASPRS), que permitiu que cirurgia plástica com fins estéticos fosse reconhecida como uma especialidade profissional.

1960

Surgem as primeiras próteses de silicone nos Estados Unidos.

1970

Os cirurgiões plásticos são reconhecidos como uma das principais carreiras médicas no mundo.

Desde a década de 1970, o mercado de cirurgia plástica apresenta curvas exponenciais de crescimento. O que antes era uma necessidade para enfermos e vítimas de conflitos hoje se tornou uma febre movida pelo desejo de ser sempre melhor. Mas, qual o ponto de equilíbrio?  Com um padrão de beleza cada vez mais exigente, as inseguranças de cada dia e as influências dos meios de comunicação, será que a cirurgia plástica se tornará a cultura vigente? É o que vamos descobrir juntos a partir de agora.

1. O Panorama da Cirurgia Plástica

Todos querem Botox

Na busca por procedimentos menos invasivos para disfarçar sinais de envelhecimento, soluções injetáveis como preenchimento para suavizar expressões faciais e aplicação de toxina botulínica, o Botox, acabaram tornando-se bastante populares. Dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) indicam que cinco milhões de aplicações de Botox ocorrem anualmente no mundo. O Brasil foi responsável por 356 mil delas em 2014, perdendo apenas para os EUA no ranking global.

Brasil e o turismo estético

Praia. Sol. Carnaval. O Brasil parece ter os ingredientes perfeitos para que o nível de exigência com o corpo seja um dos mais altos do mundo. Não é por acaso que, entre os mais de 20 milhões de procedimentos estéticos cirúrgicos e não cirúrgicos realizados em 2014, 10,2% deles foram realizados por aqui.

Países que realizaram o maior número
de procedimentos cosméticos em 2014

Países que realizaram o maior número
de procedimentos cosméticos em 2014

Países que mais realizam os
procedimentos mais populares

Países pelo número estimado
de cirurgiões plásticos

Com 5.473 cirurgiões plásticos licenciados, o Brasil tem a maior média de especialistas per capita do mundo. Talvez por isso, e pelo reconhecimento internacional de muitos deles, tenhamos nos tornado um dos principais destinos do chamado “Turismo Estético”. Estima-se que cerca de 55 mil pessoas sejam atraídas anualmente para realizar procedimentos estéticos por aqui. O Rio de Janeiro, conhecido como a “capital da cirurgia plástica”, é o coração desse novo (e lucrativo) negócio e a sede da Cosmetic Vacations, agência americana com alma carioca especializada nesse mercado em ascensão.

2. Democratizacão dos procedimentos estéticos

Estimulada pela cultura moderna, na qual beleza física é sinônimo de sucesso, a indústria da cirurgia plástica e procedimentos estéticos vem crescendo muito nos últimos anos.  Com o aumento da demanda, o acesso a procedimentos estéticos cirúrgicos e não cirúrgicos ficou mais fácil, com um amplo leque de tratamentos e opções para todos os bolsos. Despesas com algumas cirurgias plásticas, inclusive, podem ser abatidas no Imposto de Renda. Preços mais acessíveis têm contribuído para a "democratização" dos procedimentos estéticos. Afinal, quem não quer ficar bonita e com tudo em cima hoje em dia?

Millennials e Baby Boomers querem mudança

Independente da idade, as pessoas parecem estar buscando mudar algo em si. Com base em dados do Real Self, portal americano de compartilhamento de experiências e informações sobre procedimentos estéticos, 87% das mulheres americanas com idades entre 18 e 64 estão descontentes com pelo menos uma parte do seu corpo, com até um terço delas dispostas a encarar uma cirurgia plástica para aumentar a confiança na sua aparência. De acordo com outro levantamento feito pelo mesmo portal, os procedimentos mais procurados pelos Millennials em 2015 foram:

A busca é quase sempre por mais confiança e autoestima. Os Millennials almejam uma forma de diferenciação em seu grupo, reforçando as suas curvas e aperfeiçoando seus traços. E, à medida que eles se aproximam da meia-idade, começam a procurar tratamentos que os ajudem a manter seu viço juvenil, busca liderada, no entanto, pela geração anterior.




Preocupados em manter a aparência jovem e permanecer relevante no local de trabalho, os Baby Boomers optam por procedimentos que apaguem as evidências do tempo. Na era da glorificação da juventude, a busca pelo rejuvenescimento parece incessante, mas com uma condição: o resultado tem que ser natural, a ponto de as pessoas ficarem na dúvida se realmente houve qualquer tipo de tratamento ali.

Homens x Mulheres: os procedimentos mais
buscados por cada faixa etária

Nivelando expectativas

A cirurgia plástica pode promover grande impacto positivo na autoestima e na qualidade de vida das pessoas. Esse impacto é tão maior quanto maior for a imperfeição tratada e menos expressivo em pacientes que buscam tratamento para detalhes.

Dr. Thiago Degani Dumont

3. Mineiros vaidosos

Em Minas Gerais, a realidade parece não ser muito diferente do que observamos no restante do mundo. Inseguranças e insatisfações pessoais surgem como estímulo definitivo para buscar um cirurgião plástico ou tratamento estético. Mas, não se engane: em meio a tantas fontes de informação disponíveis, a indicação de amigos e conhecidos ainda é a mais importante e o termômetro do resultado segue sendo a opinião de quem passou pelo procedimento.

Questionados sobre o que fazem para cuidar da beleza:

Eu não dependo de questões estéticas para viver, mas sou vaidosa. Gosto de estar bem comigo.

Entrevistada, 54 anos.

Estou mais preocupada em me sentir bem do que com padrões estéticos.

Entrevistada, 34 anos.

Sou vaidosa, pois faço o básico. Cuido do cabelo, corpo. Procuro me sentir bem. Vou ao salão regularmente. Gosto de roupa, de me produzir. Mas não sou extremo de forma alguma.

Entrevistada, 32 anos.

Ficar bonita para quem?

Engana-se quem pensa que as mineiras se embelezam para os outros. 100% das entrevistadas dizem que sua rotina de cuidados com a beleza visa a resultados para si mesmas. Cônjuges e sociedade têm uma participação secundária em suas decisões de beleza.

Tudo o que eu faço é para mim, não é para os outros não. Não tem preço olhar para o espelho e gostar do que vê.

Entrevistada, 54 anos.

Fico bonita em primeiro lugar, para mim. Depois para o meu marido, e talvez em terceiro lugar para a sociedade.

Entrevistada, 31 anos.

Cirurgia plástica

Entre os que já fizeram ou pretendem fazer uma cirurgia plástica nos próximos anos, os procedimentos pretendidos são:

Questionados sobre a motivação que os levou a realizar ou planejar realizar uma cirurgia plástica:

Vale destacar que agradar os outros e/ou se parecer com alguma celebridade não fazem parte da motivação dos entrevistados para realizar uma cirurgia plástica.

Eu fiz dois procedimentos: lipo nas costas e silicone, tudo junto na mesma cirurgia. A minha relação é de muita naturalidade. Não sou a favor de plástica com alto grau de intervencionismo, acho que temos que envelhecer, mas temos que envelhecer com saúde.

Entrevistada, 30 anos.

Depois que minha filha nasceu, meu corpo mudou muito. Eu emagreci 10kg no primeiro mês mas depois não emagreci mais. Eu fazia acompanhamento com todo tipo de médico, e não estava adiantando. Então resolvi procurar uma clínica de estética e conheci o Criolipólise. Mas o tratamento é caro e não garante o resultado, então desisti e contratei um personal trainer. Minha mãe e meu marido falavam para eu procurar um cirurgião, mas eu morro de medo de anestesia, então demorei a ir. Até que fui em uma consulta, meio sem compromisso, e ele indicou que eu fizesse abdominoplastia. Meu marido me perguntou qual medo era maior: o de ficar como eu estava ou o medo da cirurgia. E isso definiu minha decisão. Eu não queria continuar daquela forma.

Entrevistada, 34 anos.

Como escolhem seu cirurgião?

Quando eu coloquei silicone estava na época do silicone, então muita gente tinha. Eu busquei indicação com as pessoas que já tinham feito. Hoje, mesmo com tudo na internet, eu buscaria as pessoas também. Confio mais em indicações do que na internet.

Entrevistada, 31 anos.

Independente de qual for o médico, ele tem que passar segurança. Você não pode sentir que ele tem dúvida, ele não pode ficar inseguro quanto a qual procedimento indicar, o que você deve fazer. O médico não pode deixar você na dúvida se gostou dele ou não. Ele tem que ser firme, transmitir segurança.

Entrevistada, 34 anos.

O fato do médico ser jovem não muda nada. Se ele formou naquilo, tem capacidade. E, se me passou segurança, é o que importa.

Entrevistada, 24 anos.

Idade não vejo problema nenhum. Eu sempre sofri preconceito de idade, por ter cargos altos sendo nova, tendo o desafio de me posicionar. Eu acho que para pessoas conservadoras pode fazer diferença. Para mim é o contrário. O muito velho eu acho que o timing de aprendizado é menor, então a chance da pessoa ficar parada em práticas antigas é maior.

Entrevistada, 30 anos.

A idade faz diferença porque a informação muda muito rápido. O que é regra hoje muda amanhã. Experiência é importante, mas conhecimento também. Tenho um olhar observador em cima de pessoas que já chegaram num patamar tal na qual são reconhecidas. Até que ponto o médico com fama continua se atualizando?

Entrevistada, 54 anos.

Questionados sobre os canais acessados para buscar informações sobre cirurgiões plásticos, clínicas de cirurgia plástica e estética:

Em uma escala de 1 a 5:

Consumo de informações

A internet é a principal fonte de informação, aprendizado e entretenimento quando o assunto é cirurgia plástica e estética. Ao que tudo indica, o mundo virtual já é uma extensão da vida real, deixando o uso de outras mídias em segundo plano.

Informação de beleza não é para mim. É muito intuitivo. Às vezes sigo (perfis no) Instagram que falam de bem-estar, de comida, mas não sou de seguir Pugliesi. Se alguém lançou tratamento novo, não corro para fazer. Vejo só Instagram, mas sigo meus instintos. Gosto de seguir pessoas autênticas.

Entrevistada, 32 anos.

Não é minha prioridade procurar informações sobre procedimentos estéticos no momento. Mas sigo algumas clínicas de estética e dermatologistas no Instagram.

Entrevistada, 30 anos.

Eu sou uma pessoa muito viciada em redes sociais. Sigo muitas pessoas. Fico sabendo dos tratamentos através das pessoas que sigo no Instagram e no Snapchat.

Entrevistada, 34 anos.

Procedimentos estéticos

64% dos entrevistados já fizeram algum tipo de procedimento estético. Entre os procedimentos plásticos e estéticos que já realizaram:

Fiz tratamentos para celulite cujos resultados foram imperceptíveis. Fiz depilação a laser e não durou nada

Minha micropigmentação não durou nem um ano.

Clínica de estética

Acho que estamos em uma fase muito anti-aging: não pode ter rugas nem nada. Mas acho que se começa a mexer no rosto muito cedo, mais tarde pode ficar muito feio. Não vejo sentido em fazer uma intervenção hoje para mudar o meu semblante, que é natural, por conta de prevenir o envelhecimento futuro. Deixa para fazer quando for preciso. No futuro, inclusive, vão haver mais recursos.

Entrevistada, 31 anos.

Sou uma pessoa muito resistente ao novo e muito resistente a tudo o que vá doer. Já deixei de fazer muita coisa por esse medo. Mas eu não dou muita credibilidade para tratamentos não muito invasivos. Esses tratamentos muito superficiais não me atraem, tipo Carbox, criolipólise.

Entrevistada, 34 anos.

Faço procedimentos estéticos, botox, etc, mas buscando sempre o mais natural possível.

Entrevistada, 30 anos.

Fazer sempre o mais imperceptível e suave possível. Esse é o lema que sigo durante os procedimentos e que acaba sendo algo mais preventivo.

Entrevistada, 30 anos.

Antes e depois

Vista muitas vezes como uma solução para algo que se quer mudar em si, a cirurgia pode ou não ser satisfatória. Por cultivar expectativas altas de um bom resultado, as pacientes muitas vezes apostam todas as suas fichas no procedimento. Felizmente, o antes e depois é positivo para a maioria delas, revelando o potencial transformador da cirurgia plástica.

Antes as roupas não ficavam boas, agora consigo usar tudo. Eu sabia que ia ficar perfeito.

Entrevistada, 54 anos.

Depois da minha cirurgia me sinto muito melhor. Minha autoestima melhorou muito. Eu me acho mais bonita. Hoje eu sou a mulher que eu queria ser. Não só esteticamente, mas até no modo de agir com meu marido também. Eu olho no espelho e fico feliz.

Entrevistada, 24 anos.

Minha autoestima melhorou muito depois da cirurgia. Era uma coisa que eu via no espelho que faltava em mim. Eu me senti muito melhor, muito mais mulher, mais sensual. Deu um boost de autoestima.

Entrevistada, 31 anos.

4. O impacto das redes sociais

Que atire a primeira pedra quem nunca deixou de postar uma foto por não estar “boa o suficiente”. Em uma era guiada pela obsessão da imagem perfeita, não é de se estranhar que as redes sociais tenham tanto impacto na forma como nos percebemos.

Essa vontade de alcançar a aparência perfeita tem movimentado não só os aplicativos à la Photoshop, mas também as clínicas de estética. Segundo uma pesquisa da Academia Americana de Plásticas Faciais e Cirurgia Reconstrutiva (AAFPRS), as redes sociais estão causando um aumento exponencial na procura por cirurgias plásticas. O estudo, realizado com 753 cirurgiões associados da Academia, aponta que mais e mais pacientes justificam o desejo de passar por um procedimento cirúrgico a partir da vontade de ter uma melhor aparência em sites dessa natureza.

A indústria da selfie

A moda da selfie contribuiu significativamente para essa realidade. A Real Self investigou, a partir de entrevistas com 527 de seus usuários, a influência das redes sociais na consideração e/ou decisão de realizar um procedimento estético. Quase metade dos entrevistados confirmou o impacto, sendo que, desses, 15,37% responderam simplesmente sim e 33,40% afirmaram que as redes exerceram certa influência: eles já sabiam que queriam mudar algo em si, mas as fotos nas redes sociais os tornaram mais conscientes da mudança desejada.  
Os cirurgiões plásticos relatam ainda que, em nome da selfie perfeita, eles estão sendo solicitados a corrigir imperfeições que, em alguns casos, as pessoas sequer sabiam que tinham. Lift nas mãos, preenchimento nos pés para um melhor encaixe nos saltos e afinamento dos tornozelos, das bochechas e dos braços têm-se tornado cada vez mais populares entre os jovens.

Efeito Kardashian

Um outro estudo conduzido por pesquisadores dos EUA e do Reino Unido mostra uma conexão entre o tempo gasto nas redes sociais e a autoimagem do usuário: quanto mais tempo se passa nas redes sociais, maior a chance de se criar uma imagem negativa da sua aparência e querer mudar algo em si. Qualquer semelhança com o “Efeito Kardashian”, motivado pelas irmãs americanas que estão entre os perfis mais seguidos e curtidos do Instagram, não é mera coincidência. Em meio a milhares de selfies, nudes e cenários luxuosos, o clã Kardashian – obcecado pela própria imagem – provocou uma onda de seguidores interessados em realizar procedimentos estéticos em prol de uma melhor aparência. O bumbum da Kim, os lábios da Kylie e a recente lipo da Khloe estão entre os mais cobiçados nos consultórios médicos. Muitos pacientes, no entanto, buscam ficar parecidos com sua própria versão melhorada digitalmente: querem atingir com a cirurgia os resultados que já viram ser possíveis com filtros do Instagram.

Be yourself: em busca da (auto)aceitação

Os jovens, em particular, começam cada vez mais cedo a procurar procedimentos estéticos. Em busca de um padrão de beleza quase inatingível – evidenciado pela mídia e pelas redes sociais –, crianças e adolescentes se veem pressionados a atingir a perfeição física na expectativa de se inserirem socialmente. Os números são ainda mais preocupantes. 

Hoje, apenas 11% dos jovens do mundo se sentem bem com sua aparência. Esse quadro tem dado força a movimentos como o Free Being Me, que, liderado pela WAGGGS e pela Dove, busca resgatar a autoconfiança de crianças e adolescentes e conscientizá-las de que elas são lindas como são, sendo livres para assumir a sua aparência e identidade da forma que quiserem.

Com a missão de assegurar que a próxima geração cresça desfrutando de uma relação positiva com sua aparência, a Dove conduz, desde 2004, o Dove Self-Esteem Project, que já impactou mais de 17 milhões de jovens ao redor do mundo com seu projeto educacional sobre autoestima. A marca também está à frente da Be Real, campanha do governo inglês que visa mostrar à população que é preciso colocar a saúde acima da aparência e que é possível (re)conquistar a confiança em si mesmo e em sua imagem corporal.

 

Menos pressão, mais diversão

Dicas de filmes para rever seus padrões:

5. Uma nova geração de tratamentos

Cada vez menos invasivas e buscando proporcionar maior segurança aos pacientes, as técnicas para melhorar o visual evoluíram muito nos últimos anos. Com foco em um resultado cada vez mais natural e uma preocupação maior em não deixar marcas ou cicatrizes, os procedimentos estéticos têm sido considerados a “arma secreta” para as pazes com o espelho, e a tecnologia tem sido uma grande aliada.

  • Células tronco para rejuvenescimento facial

    Em sua essência, as células tronco possuem a capacidade de aumentar a quantidade de fibroblastos, o que acaba por promover também o aumento da produção de colágeno, elastina e ácido hialurônico no organismo. Por causa disso, elas já começaram a ser utilizadas em procedimentos que visam a renovação da pele facial (rugas e flacidez) e até mesmo a suavização de manchas. De forma bem simplificada, funciona assim: as células tronco adultas são retiradas de um fragmento da pele do próprio paciente; posteriormente, essas células são reprogramadas geneticamente em laboratório; por fim, as células modificadas são injetadas na região facial.

  • Aplicação de PRP

    Desenvolvido pela esteticista Dra. Terry Loong, o novo lifting é basicamente a aplicação do plasma sanguíneo do paciente, enriquecido de plaquetas – o que a doutora chama de PRP (Platelet-rich Plasma) –, no rosto do próprio cliente. Uma vez introduzido por uma fina agulha, o PRP funciona como uma máscara ou guia de atuação, ao induzir o aumento da circulação do sangue, atrair fibroblastos e elastina para a região, além de diminuir o inchaço e o tempo de recuperação.

  • Combinação de tratamentos para os olhos

    Por se tratar de uma região do corpo humano sensível e ao mesmo tempo carente de cuidados diferenciados, a tendência é combinar diferentes tratamentos para os olhos. Pensando nisso, Dra. Maryam Zamani combina ultrassom, botox e preenchimento, o trio que ela chama de Tri Eye Rejuvenation Treatment. De acordo com Zamani, a pele dos olhos envelhece mais rapidamente que outras partes do corpo, por ser muito fina e porque costumamos passar menos protetor solar nessa área.

  • Injeção elimina o queixo duplo

    Introduzir um elemento capaz de dissolver as células de gordura do queixo, essa é a promessa da Kybella. A injeção possui ácido deoxicólico, substância que produzimos no próprio corpo, que ajuda a absorver gordura. Parece mágica, mas é um procedimento que exige muitos cuidados e muitas agulhadas até atingir o resultado desejado. Além de demandar um tempo maior de recuperação, cinco dias para desinchar, só foi aprovado para a região do queixo, pois o efeito da Kybella em outra regiões do corpo ainda é desconhecido.

  • Lipo dos grandes lábios

    Procedimentos nas partes íntimas femininas têm sido apontados como a grande aposta do ano. Com profissionais cada vez mais especializados, as técnicas foram sendo aperfeiçoadas desde que a moda das calças skinny dominou o mercado. Hoje, uma das opções de maior destaque no exterior é o O-Shot, que utiliza o plasma sanguíneo injetado na vagina para estimular o crescimento de novas células.

6. Tendências

A palavra de ordem é naturalidade. As tendências apontam para procedimentos que transformem o paciente em sua versão melhorada, e não mais em uma “réplica” de outra pessoa, como era comum há alguns anos.

Mudanças sutis

Um estudo conduzido no Reino Unido revelou que 72% dos britânicos que estão considerando um procedimento estético buscam resultados sutis que só eles irão notar. Isso vale para os outros países também: quanto mais natural, melhor.

Seios menores

Apesar do aumento da mama liderar o ranking de cirurgias em alguns países, a contratendência tem marcado presença: está cada vez mais comum mulheres (e homens!) buscarem reduzir as mamas para um visual mais natural e condizente com seu biotipo. Os tempos dos peitos enormes já ficaram para trás.

Manutenção precoce

Membros da AAFPRS apontam que a maior tendência para o futuro da cirurgia plástica facial é a enfâse na manutenção precoce, com pacientes começando a realizar procedimentos menos invasivos entre os 20 e 30 anos para evitar a necessidade de cirurgias mais agressivas à medida que a idade for chegando.

O que muda é o padrão estético e, consequentemente, o resultado desejado. Resultados mais discretos e naturais se tornarão, cada vez mais, o objetivo dos pacientes. Ainda assim, não acredito em uma queda significativa no número de cirurgias, mas sim no "estilo" do resultado desejado. Além disso, seguindo o que já aconteceu nos EUA e como resposta a pacientes cada vez mais exigentes, os cirurgiões terão que ser profissionais especializados em determinadas cirurgias.

Dr. Thiago Degani

As pessoas estarão, cada vez mais, em busca de procedimentos ou cirurgias de recuperação mais rápida, que não exijam um período tão longo de afastamento do trabalho. Dentre eles, estão os procedimentos que podem realizados no consultório e que contribuem igualmente para a autoestima, adiando assim a necessidade de uma cirurgia. É o caso, por exemplo, de muitos procedimentos para rejuvenescimento facial: aplicação da toxina botulínica, preenchimentos, laser, entre outros. Já a tendência pela real beleza vai ajudar a minimizar a procura por pacientes que não tem uma real necessidade, controlando assim os excessos e os modismos. Teremos pacientes mais preparados e orientados para a cirurgia.

Dra. Júnea Araújo

É importante que todo mundo saiba que uma cirurgia plástica funciona no sentido de melhorar a autoestima de pacientes, mas não é um instrumento de busca a qualquer custo por um padrão impossível de beleza. Particularmente, acho que a tendência de maior autoaceitação por parte das mulheres é positiva para o universo da cirurgia plástica. Se aceitar não quer dizer que não exista uma vontade de mudança. E se a mudança pede resultados mais naturais, que bom. Ninguém consegue produzir perfeição.

Dr. João Carlos Cisneiros

7. O futuro da cirurgia plástica

A evolução tecnológica teve impacto determinante na indústria da cirurgia plástica. Médicos robôs, simulações 3D e realidade aumentada possibilitaram não apenas que as intervenções se tornassem menos invasivas e mais eficazes, como também facilitaram a visualização dos resultados finais.

Realidade aumentada

Utilizando a tecnologia para dar ao paciente uma visão 3D realista em tempo real, a Illusio produz imagens que os cirurgiões podem manipular para replicar o que o paciente quer, seja no rosto ou corpo. O software usa modelos virtuais para aplicar características dos pacientes, e o usuário pode ver a transformação completa enquanto gira de um lado para outro, verificando tudo o que o cirurgião cria em seu corpo virtual. Quando os pacientes são capazes de ver os resultados após a cirurgia, sua ansiedade diminui e a satisfação com o resultado tende a aumentar.

Simulação 3D

A MirrorMe3D, fundada em Nova Iorque pelo cirurgião plástico Carrie Stern, produz réplicas do corpo do paciente por impressão 3D, simulando os resultados da cirurgia em uma espécie de “boneca” do paciente. A Crisalix oferece simulações 3D online para qualquer procedimento estético e plástico, dando ao paciente a opção de antecipar os resultados vendo sua nova versão no computador.

Médicos robôs

Braços robóticos acoplados ao corpo do cirurgião têm auxiliado os profissionais de cirurgia na prática de procedimentos mais acurados e menos invasivos. Comandado pelo cirurgião, o robô realiza movimentos de alta precisão que trazem mais segurança aos procedimentos, eliminando tremores e melhorando a perspectiva para as cicatrizes, que passam a ser mínimas. Mas se engana quem pensa que os robôs irão substituir o homem nesse quesito: pelo menos por enquanto, o cirurgião e sua vasta experiência ainda ditam as regras da cirurgia.

O que mais vem por aí?

O que mais o futuro reserva para a cirurgia plástica? De acordo com Dr. Patrick J. Byrne, em artigo para o The Wall Street Journal, em 30 anos a indústria será completamente diferente do que conhecemos hoje, tanto para as cirurgias plásticas reconstrutivas quanto para as de cunho estético.

Dentro das próximas décadas, a engenharia de tecidos personalizada vai permitir que as estruturas físicas, tais como orelhas, traqueias e pele sejam cultivadas em laboratório e implantadas com sucesso no corpo humano. Esses implantes poderão ser utilizados para restaurar a forma e função de partes de corpo perdidas ou que nunca estiveram presentes no paciente. Produtos biológicos possibilitarão aos médicos controlar o sistema imunológico. O transplante de estruturas complexas promete revolucionar a cirurgia reconstrutiva, dando maior possibilidades para pacientes que tiveram partes do corpo removidas por causa do câncer, por exemplo, além de auxiliar em uma vasta gama de tratamentos, como implantes minúsculos que usarão condução elétrica para trazer de volta o movimento a áreas afetadas pela paralisia.

As células-tronco também abrirão novas portas. Uma célula-tronco tem o potencial para se tornar um nervo, um músculo, uma retina, tecido da mama, um folículo de cabelo, entre várias outras possibilidades. Agora que os pesquisadores estão começando a falar sobre o potencial programável dessas células para tratar câncer, paralisia e doença cardíaca, a ciência vai inevitavelmente levar esse potencial para a indústria estética. As células-tronco poderiam criar um novo colágeno, fazer cabelo crescer e restaurar a cor da pele em pessoas com distúrbios de pigmentação, por exemplo.

Dr. Byrne prevê ainda que os avanços médicos vão desacelerar e talvez até mesmo reverter o processo de envelhecimento externamente, bem como internamente. Medicamentos e tratamentos prescritos serão programados para impedir a morte celular – a causa do envelhecimento –, para manter a pele sempre abundante em colágeno e elastina e, consequentemente, jovem. Isso eliminaria a necessidade do uso de ácido hialurônico e de tratamentos injetáveis ​​amplamente utilizados hoje. Alguns dermatologistas e cirurgiões plásticos acreditam que em alguns anos será possível eliminar a gordura localizada de forma indolor e não invasiva: uma nova tecnologia utiliza ultrassom focalizado de alta intensidade para penetrar na pele e quebrar as células de gordura que se encontram a poucos centímetros abaixo da superfície. Na esteira desses avanços, o interesse e a demanda por procedimentos estéticos não cirúrgicos tendem a crescer ainda mais.

Em meio a tantas possibilidades de futuro, as tendências para a cirurgia plástica e tratamentos estéticos mostram ganhos que vão muito além de simetria, proporção e promessa da eterna juventude. Estamos falando de saúde, de qualidade de vida, de envelhecer bem e com tranquilidade. Mas não se engane: independentemente da idade, classe social, etnia ou estado civil e do quanto as técnicas evoluam, a beleza continuará sendo um dos itens mais cobiçados desse mercado.

8. Quero fazer uma cirurgia, e agora?

A cirurgia plástica com fins estéticos não é para qualquer pessoa. É preciso estar ciente das mudanças que ela vai acarretar em seu corpo e, principalmente, saber quais os motivos que o levaram a optar por este ou aquele procedimento.

A recomendação da Tempo Cirurgia Plástica é que os interessados busquem se informar profundamente antes de realizar a cirurgia e decidam, junto ao médico, qual a melhor abordagem para o caso. Para os sócios da clínica, pacientes com expectativas realistas são os que ficam mais satisfeitos com os resultados de um procedimento cirúrgico estético. O melhor resultado é sempre aquele que leva a uma melhora significativa na autoestima e na qualidade de vida das pessoas.

Para aqueles que desejam realizar uma cirurgia plástica, é importante notar alguns cuidados antes de se submeter ao procedimento. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) recomenda que se escolha um cirurgião de confiança e que o paciente esteja ciente dos riscos da cirurgia, sempre respeitando o melhor para a sua saúde.

Procure um cirurgião plástico membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, de preferência que tenha sido indicado por um conhecido. É importante ter consciência também de que toda cirurgia plástica tem suas limitações. Nenhum procedimento é capaz de reproduzir efeitos como Photoshop, observados em tantas fotos de revista que vemos por aí.

Dr. Thiago Degani

O mais importante durante sua fase de pesquisa é procurar um profissional que seja ético e devidamente qualificado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Dra. Júnea Araújo

Antes de tomar qualquer decisão, pergunte a você mesmo qual a importância daquela mudança para a sua vida e o real impacto que ela terá em seu dia a dia. As respostas para essa pergunta não apenas ajudarão a nivelar expectativas como nortearão também a busca por profissionais e clínicas.

Dr. João Carlos Cisneiros

Perfil dos especialistas

Dr. Thiago Degani

Formado em Medicina pela UFMG e como Cirurgião Geral e Cirurgião Plástico no Hospital das Clínicas, também da UFMG, é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Teve influência de grandes cirurgiões de Belo Horizonte: o Dr. Teófilo Taranto e o Dr. Luiz Alberto Lamana. Conta ainda com formação complementar nos serviços de Cirurgia Plástica do Prof. Ivo Pitangui e do Dr. Paulo Muller, ambos no Rio de Janeiro.

Dra. Júnea Araújo

Formada em Medicina pela UFMG e como Cirurgiã Geral e Cirurgiã Plástica no Hospital das Clínicas, também da UFMG, é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Complementou sua formação no serviço de Cirurgia Plástica do Prof. Ivo Pitangui e se especializou em Rinoplastia em Dallas, nos Estados Unidos.

Dr. João Carlos Cisneiros

Formado em Medicina pela UFMG e em Cirurgia Geral e Plástica no Hospital das Clínicas, também da UFMG, é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Tem formação complementar na Virgínia Ocidental, nos Estados Unidos, focando em contorno corporal e procedimentos minimamente invasivos para a face.

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