Educação

Sabemos que o modelo tradicional de ensino está ultrapassado. Mas muitos movimentos já estão ajudando a redesenhar os papéis do aluno e do professor. Mais abertura, horizontalidade, descentralização e personalização preparando indivíduos para encarar a vida.

jun. 2015

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Você não precisa aprender mais nada. Chega, pode fechar esse site. Esquece o livro. Não se inscreva naquele curso. Pós? Não. Graduação? Não. Nem vem com tutorial de YouTube ou tour inicial de aplicativo. A-CA-BOU. Contente-se com o que você já sabe. Viva com o que já está armazenado na sua cabeça. Pra que mais?

Na vida eu aprendi que, para saber se algo é importante, basta provocar sua falta. A ausência faz surgir o valor. Das pessoas, só saberemos a real importância com a morte. Das coisas, quando elas acabarem. Eu não sei como foi aí, mas aqui, só de pensar em não aprender mais nada rolou um mini pânico.

Gosto da definição da Unesco: educar é ensinar a ser. Com ela tudo faz sentido. Precisamos de novas versões de nós mesmos todos os dias. Ontem eu era estagiário, hoje sou empreendedor, amanhã pai e num futuro não muito distante, escritor. Aquilo que eu não trouxe comigo da barriga da minha mãe, vou precisar adquirir. Isso é educação, senhoras e senhores.

Só tem um problema. Aliás, três. (1) Aprender tudo que precisamos, (2) num formato que não escolhemos, (3) no pouco tempo que temos disponível. Sendo o formato, o pior deles e o mais fácil de resolver.

Sabe quais são as melhores formas de aprender algo? Ensinar ou executar o que deseja aprender. E as piores, ou menos eficientes? Ler e ouvir. Quem diz isso é o educador norteamericano Edgar Dale em seu famoso “Cone de Aprendizagem”. Quem concorda com ele são educadores, psicólogos, neurocientistas, eu e provavelmente você.

Se não concorda, faz o teste. Experimente se preparar para ensinar a alguém o que você quer aprender. Ou então, crie um projeto e comece a executá-lo. As dúvidas certamente virão, e com elas o aprendizado.

Espera aí. A ideia é não fazer mais curso, pós-graduação, etc? Eu não disse isso. Apenas acredito que a educação deve se parecer mais com um mapa e menos com um check-list. Você é o dono do seu destino e constrói seu caminho. Não tem um próximo item esperando pra ser marcado. Tem seus próprios passos, um depois do outro, na velocidade e direção que você quiser imprimir.

A melhor escola, caríssimo leitor, é a vida. E para não deixar o peso dessa conclusão na minha conta, prefiro terminar com um dos maiores educadores de todos os tempos, Johann Heinrich Pestalozzi.

"A vida educa. Mas a vida que educa não é uma questão de palavras, e sim de ação. É atividade”.

por Tiago Belotte,
aprendedor em todas as horas, Diretor do CoolHow Content Lab em algumas delas.

1. A Nova Educação

Eu estou pensando, há muito tempo, em propor o novo tipo de professor. É um professor que não ensina nada. Não é professor de matemática, de história, de geografia. É um professor de espantos. O objetivo da educação não é ensinar coisas, porque as coisas já estão na internet, estão por todos os lugares, estão nos livros. É ensinar a pensar. Criar na criança essa curiosidade. Para mim, esse é o objetivo da educação: criar a alegria de pensar”. Rubem Alves

Segundo Jim Lengel, consultor em Educação e professor na Universidade de Nova York, o sistema educacional foi projetado a fim de preparar alunos para um local de trabalho industrial. Daí a origem das nossas salas de aula organizadas em fileiras, horários rígidos, avaliações individuais, obrigatoriedade no uso de uniformes e, claro, a figura soberana do professor. Tudo para garantir a ordem e formar cidadãos igualmente disciplinados.

No entanto, a rotina dos trabalhadores em grandes fábricas, muito bem retratada por Charles Chaplin em seu filme “Tempos Modernos”, em nada nos remete à mentalidade do mercado de trabalho atual. Estamos diante de uma sociedade fluida, dinâmica, horizontal e descentralizada, que demanda profissionais criativos, versáteis, com perfil de liderança e que saibam trabalhar em equipe.

Por que, então, continuamos utilizando o mesmo modelo de educação?

Do mercado de trabalho para a sala de aula

Conheça a evolução do ambiente de trabalho e seu impacto direto nos modelos de educação adotados ao longo dos séculos, segundo Jim Lengel.

SÉCULO XIX

AMBIENTE DE TRABALHO 1.0 E EDUCAÇÃO 1.0

Ambiente de trabalho

Em meados de 1870, o trabalho se dava ao ar livre e as pessoas se reuniam em pequenos grupos, sem critérios de idade. Ferramentas produzidas manualmente por cada uma delas eram utilizadas para desempenhar as tarefas. O trabalho quase não mudava de uma geração para outra, e os filhos seguiam o caminho de seus pais e avós.

Educação

Na escola, a dinâmica era parecida. As crianças aprendiam o mesmo que suas gerações anteriores, de forma bastante artesanal e reunidas em pequenos grupos heterogêneos.

SÉCULO XX

AMBIENTE DE TRABALHO 2.0 E EDUCAÇÃO 2.0

Ambiente de trabalho

(Pós-Segunda Revolução Industrial) O trabalho no campo cedeu lugar ao chão de fábrica, onde homens, mulheres e até mesmo crianças se organizavam em grandes grupos para executar tarefas repetitivas ao longo de todo o dia. As atividades se tornaram responsabilidades individuais e eram realizadas com a ajuda de ferramentas mecânicas, o que passou a exigir um novo conjunto de habilidades e comportamentos. O clima era mais rígido, a burocracia era grande e os trabalhadores eram supervisionados de perto.

Educação

O sistema de ensino passou a refletir esse novo modelo, adotando rigidez de horários e regras, estudantes divididos em grandes grupos, separados por idade, aprendendo e realizando tarefas semelhantes aos demais. Esse ensino padronizado e repetitivo objetivava a obediência e não o estímulo ao pensamento.

SÉCULO XXI

AMBIENTE DE TRABALHO 3.0 X EDUCAÇÃO 2.0

Ambiente de trabalho

Caracteriza a dinâmica de trabalho atual, na qual os recursos digitais são os principais aliados dos profissionais. As equipes de trabalho são multidisciplinares e buscam soluções para problemas complexos. Nessa realidade, o conhecimento aplicado é a moeda principal e o profissional deve possuir características como: ser multitarefa, proativo, se autofiscalizar, ter um amplo círculo de conexões, bem como um esforço mental e uma capacidade analítica e crítica, características da Era da Informação. Flexibilidade, interatividade e repertório passam a ser as palavras de ordem em um ambiente de trabalho que abrange home office, coworking e nomadismo digital.

Educação

Apesar de iniciativas que começam a surgir no Brasil e em todo o mundo, o modelo de ensino ainda não conseguiu acompanhar plenamente o novo mindset. As suas bases metodológicas ainda residem sobre o paradigma 2.0, preparando estudantes para um ambiente de trabalho que se torna cada vez mais obsoleto.

ESCOLA PARA A VIDA: A EDUCAÇÃO 3.0

A dinâmica do mundo digital alterou drasticamente a forma como nos relacionamos com a informação. Ela está disponível em todos os lugares, à distância de apenas um clique, o que acaba por tornar o ato de aprender uma experiência individual e democrática. Diante dessa nova realidade, o indivíduo assume o papel de protagonista da sua própria educação e a figura do professor enquanto fonte de sabedoria passa a ser questionada. A sala de aula representa, assim, mais um de tantos dispositivos disponíveis para o aprendizado. Para ganhar relevância, a sua função passa a ir além das disciplinas tradicionais para oferecer ao aluno uma formação para a vida.

A Educação 3.0 tem como princípio preparar os alunos para o mundo de hoje e de amanhã, para que estejam prontos para atuar em universidades e empresas que exigem pessoas inteligentes e curiosas, capazes de descobrir as coisas por si mesmas e aptas a tirar o máximo partido das tecnologias de informação e comunicação.Jim Lengel

 

Conhecimento é cultura. Não necessariamente o que me ensinaram eu aprendi. Para mim, o que eu aprendi é o que eu quis aprender, absorver - é cultura.

Nunca dei certo no modelo do colégio. Só ouvia ENEM em todas as matérias, de todos os professores. Por causa disso, sou nômade de colégio. Já passei por vários. Hoje, busco cursos fora do colégio para escolher o caminho que quero seguir. Meu pai falou: ‘termina o colégio só para você não se limitar, mas vamos fazer isso da melhor forma possível. Não quero ficar pensando no futuro. Pra mim, futuro é todo dia. Minha meta é ser feliz e eu quero isso agora.

Curiosidade, um poderoso motor de estímulo para o aprendizado 3.0

Instigar a curiosidade dos estudantes e estimular a experimentação surgem como estratégias poderosas para desenvolver competências. A mão na massa passa a ser percebida como um importante rito de passagem no qual o indivíduo vivencia situações reais, acompanhando as mudanças do mundo e exercitando a sua habilidade de adaptação ao ambiente que o cerca. A partir desse exercício, o aluno vai assumindo a postura de um agente de transformação, atuando em prol do seu propósito e da sociedade.

Um bom exemplo de iniciativas que contribuem para despertar essa curiosidade e estimular vivências práticas é o Google Expeditions. O aplicativo de realidade virtual oferece aos estudantes a oportunidade de viajar para lugares ao redor do mundo que talvez nunca tivessem a chance de conhecer de verdade. Professores podem se cadastrar on-line e, a partir daí, incluir em seus planos de aula excursões para o Planetary Society, Chateau de Versailles, American Museum of Natural History, dentre outros.

Quero aprender tudo aquilo para o que você fala ‘por que não?

Busco cursos fora para satisfazer meu desejo de aprender.

Tenho medo de parar de ser curiosa. Gosto de ver se gosto ou não do assunto, e aprofundo por uma vontade minha. Procuro curso, livros.

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lalalal

2. Um raio X do aluno de hoje

Sabemos que existe um grande gap entre o padrão de educação vigente e o modelo 3.0. O esforço de mudança e quebra de paradigmas é gradativo e já começou, mas precisa se tornar mais efetivo. Para isso, o ponto de partida é o próprio aluno. Conhecer as insatisfações, desejos e expectativas de quem ocupa hoje lugar central em nossas instituições de ensino é condição primária para recriar o processo de aprendizado e desenhar o caminho que nos guiará rumo ao futuro da educação.

69,7%

69,7% se dizem satisfeitos com a sua instituição de ensino hoje

71,6%

Mas 71,6% têm críticas em relação ao modelo de ensino atual quando se trata da educação em geral

Eu amo esse caminho. Para mim, a educação formal serviu para eu descobrir que eu gosto de estudar, trabalhar. O fato de ser linear não me impediu de seguir o caminho que eu quis. Quando chegou o ENEM, eu pensei só no que eu queria continuar estudando para sempre. Esse modelo funciona para certas pessoas.

O problema do modelo atual aparece quando você olha para as matérias e eu percebo que não gosto de nada daquilo. Por isso, busco cursos fora da escola. Mas a verdade é que o de fora deveria estar dentro. Hoje, o modelo não é completo. É só para um tipo de pessoa. O resto vai para onde?

74%

74% acreditam que existe um excesso de teoria e pouca prática

61,6%

61,6% criticam o formato pouco motivador das aulas

31,5%

31,5% acreditam que os professores possuem ideologias enviesadas

Por que não posso fazer isso do meu jeito? Quem garante que em uma aula de três horas estou me aprofundando no assunto?

A prática para os alunos de BH é um processo de educação muito mais importante que o formal. Há críticas quanto à falta de matérias alternativas na escola, como finanças básicas ou economia doméstica.

63,7%

63,7% dos entrevistados apostariam em aulas mais práticas

44,1%

44,1% utilizariam da tecnologia para facilitar o aprendizado

33,3%

33,3% daria ao professor o papel de facilitador

Alunos conectados

97,1% dos entrevistados utilizam algum recurso digital para auxiliar nos estudos:

77,8%

tablet, notebook ou smartphone

80,8%

Google

97,1% dos entrevistados utilizam algum recurso digital para auxiliar nos estudos:

74,5%

internet (sites e blogs)

60%

livros

97,1% dos entrevistados utilizam algum recurso digital para auxiliar nos estudos:

Vejo muito vídeo. Às vezes, preciso aprender sobre uma coisa que fica dentro de uma máquina, por exemplo. O vídeo ajuda muito nesses casos. Sobre recursos como computador, celular e tablet, uso todos ao mesmo tempo. Mas quando estou aprendendo não abro mão do papel e caneta.

Aula boa é aquela que eu não tenho vontade de tirar o smartphone da mochila.

E aí? Fica claro que uma reconfiguração do formato do ensino superior seria muito bem-vinda: mais autonomia para os alunos e professores se tornando facilitadores de experiências, moderando as aulas como alguém que compartilha da mesma vontade dos alunos de aprender na prática.

CRITICADA, MAS NECESSÁRIA

O modelo atual das universidades pode até estar passando por uma crise de identidade, mas pelo menos uma característica parece permanecer firme e forte: é preciso passar por ela - seja pelo crescimento pessoal ou pelo entendimento de que o curso superior é a porta de entrada para o mercado de trabalho.

Eu falei para mim mesma que ia fazer faculdade.

Foi uma historinha de amor. Escolhi o que eu queria ainda na época da escola. Quando cheguei lá [à faculdade], tinha muito mais.

É um aprendizado para a vida, não trocaria por nada.

Acho que o diploma ainda pesa na hora de contratar alguém.

O diploma vale pelo comprometimento.

Querendo ou não, você precisa de um conhecimento, um aprofundamento [para exercer determinadas funções]. Você precisa do know-how e da expertise que esse diploma vai te dar.

3. Novos caminhos para aprender

A verdade é que aprender é uma atividade essencial para o ser humano. Desde os tempos das cavernas, temos o desejo de entender o que acontece ao nosso redor e dominar novas habilidades. E, como qualquer outra atividade humana, o processo de aprendizagem deve acompanhar as mudanças da sociedade. Não apenas o que aprendemos - afinal, descobrir e estudar coisas novas é também um processo humano e sem fim -, mas também a forma como aprendemos.

O aprendizado tem tudo a ver com o modo como nos relacionamos - o que pode mudar rapidamente. Os jovens de hoje têm acesso a múltiplos canais de comunicação e sede de experiência. E talvez a sala de aula seja um dos locais mais propícios para se observar o famoso choque de gerações. Enquanto professores e pais normalmente estão acostumados a uma forma de pensamento mais linear, os estudantes, que já nasceram completamente conectados, têm um pensamento muito mais semelhante aos hiperlinks da internet: uma ideia leva à outra, que leva à outra, como se a mente fosse um grande navegador com várias janelas abertas. E se já é assim hoje, imagine daqui a 20 anos?

O aluno do futuro, que já nasce com uma mentalidade digital, acaba por demandar calendários mais flexíveis e adaptáveis à sua multivida. A educação superior poderá, sim, ter início aos 18 anos, mas não necessariamente de uma forma tradicional. Esses novos alunos buscarão, cada vez mais, rotas alternativas à faculdade

Nesse contexto, diversas alternativas surgem com o intuito de reformular a lógica do ensino tradicional. A tecnologia ganha destaque, e o aprendizado passa a ser visto de forma holística e contínua, não se limitando às salas de aula. Experiências de desescolarização, empreendedorismo ou trabalhos sociais ganharão cada vez mais relevância dentro da formação do indivíduo, ao longo de toda a sua jornada. Também é possível observar um movimento de fragmentação do poder de ensinar: a figura do professor segue tendo importância, mas qualquer pessoa com expertise em um determinado assunto e até mesmo um aplicativo podem ocupar esse papel também. Já existem muitas iniciativas que começam a movimentar o cenário educacional. Vamos aprender um pouco mais sobre essas tendências?

EDTECH - TECNOLOGIA COMO FACILITADORA DA APRENDIZAGEM

A tecnologia educacional abrange aplicativos, produtos e ferramentas que facilitam o aprendizado, democratizam o acesso à informação e impulsionam o desempenho dos alunos.

A modalidade de ensino a distância (EAD) é a precursora desse modelo, que hoje abrange também diversas modalidades de cursos on-line, gratuitos e pagos. Os gadgets, por sua vez, ganham uma nova função: aplicativos e plataformas de aprendizagem podem transformar smartphones e tablets nos melhores amigos de um professor.

Exemplo

MOOCs - Do inglês Massive Open Online Couse, o MOOC pode ser considerado o “irmão mais novo” da educação a distância. São cursos abertos e gratuitos que, normalmente, não exigem pré-requisitos, além de uma boa conexão de internet - embora tenham estrutura semelhante aos cursos ofertados em uma faculdade.

No Brasil, os primeiros MOOCs foram oferecidos pela Unesp. Hoje, diversas universidades já lançaram suas aulas, e portais como o Veduca reúnem centenas de cursos on-line, de faculdades nacionais e do exterior.

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ADAPTAÇÃO E PERSONALIZAÇÃO DO ENSINO

Cada pessoa aprende de um jeito diferente, influenciada por seu perfil, seus interesses e suas emoções. Nesse contexto, a proposta do aprendizado adaptativo é ensinar de acordo com a forma como cada aluno processa o aprendizado - em outras palavras, focar no que o aluno absorveu após cada aula e adaptar o conteúdo de acordo com seus pontos fortes e suas fragilidades, tornando o caminho de aprendizagem mais eficiente.

Na vertente da tecnologia, ganham destaque plataformas inteligentes que propõem atividades sob medida para os alunos de acordo com o seu desempenho. A partir da análise de dados, um feedback é dado em tempo real, sendo possível traçar um mapa de conteúdo personalizado que permite ao aluno avançar simultaneamente em diversas disciplinas, mas de acordo com o seu ritmo.

Exemplo

Geekie – Start-up criada em 2011, a Geekie oferece uma plataforma de ensino baseada no conceito do aprendizado adaptativo. Por meio de testes de múltipla escolha personalizados, a plataforma consegue identificar quais conteúdos o aluno absorveu bem, e quais ele precisa estudar mais, o que torna o processo de aprendizado mais eficiente. Todas as informações podem ser divididas com a escola e os professores. Já são mais 14 mil escolas impactadas, a maioria da rede pública.

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GAMIFICAÇÃO

Não tem jeito: todo mundo adora uma competição. Por que não utilizar a dinâmica dos jogos para tornar o processo de aprendizagem mais divertido e interessante? Aplicando princípios como disputa entre amigos, mudança de níveis e premiações, a gamificação é uma metodologia que procura engajar os alunos por meio de desafios, motivando-os em torno de assuntos interdisciplinares.

Exemplo

Gerar impacto na educação por meio da tecnologia. Foi desse ponto de partida que um grupo de amigos de Belo Horizonte criou o AppProva, uma plataforma gratuita de teste e diagnóstico criada a partir do princípio da gamificação. Por meio de jogos e desafios baseados em um banco de questões extenso, estudantes de todo o Brasil se preparam para provas como o ENEM e o teste da OAB. Mais de meio milhão de estudantes já utilizaram a plataforma, que conta com 50 instituições parceiras espalhadas pelo país.

"O mundo está em constante transformação, na maioria das vezes impactada pela evolução tecnológica. E com a educação não é diferente. Hoje existem diversos aplicativos, softwares, dispositivos criados para otimizar o processo de ensino e aprendizagem, tanto para alunos quanto para professores, os quais, desde que utilizados de forma produtiva, podem contribuir bastante na educação. A tecnologia por tecnologia não faz qualquer sentido de ser adotada se não consegue gerar um verdadeiro impacto no campo educacional." (Rodrigo de Castro, gerente de marketing do AppProva)

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DESESCOLARIZAÇÃO

A escola não precisa ser o único caminho para o conhecimento. É o que defende o movimento da desescolarização, que enxerga que o aprendizado pode acontecer em qualquer lugar. Nesse contexto, surgem processos de aprendizagem autônomos e métodos alternativos de educação, buscando o conhecimento por meio de uma série de experiências pessoais que culminam na “educação hackeada”.

Exemplo

A iniciativa criada por Dale Stephens, em São Francisco, visa oferecer uma alternativa à faculdade para jovens americanos, pensando principalmente nas dívidas geradas pelas universidades para os estudantes. No Brasil, a iniciativa está em Ilha Bela e vem sendo procurada também por profissionais já graduados que perceberam que faltava algo em sua educação formal.

"Está sendo transformador. Uma experiência de autoconhecimento absurda e um exercício diário dos meus desafios pessoais. Além disso, as oportunidades que estão sendo abertas profissionalmente pra mim são inimagináveis. Minha expectativa é estar mais equilibrada e com um caminho de carreira que faça sentido para uma vida mais feliz. Mais que atender expectativas alheias de sucesso e felicidade, encontrar meu próprio caminho." (Ana Paula Coelho, participante da segunda turma da Uncollege Brasil)

ESCOLA DA VIDA

75% dos especialistas ouvidos pela pesquisa School in 2030, lançada pelo WISE Initiative, da Qatar Foundation, acreditam que, em um futuro próximo, o conhecimento acadêmico não será o mais valorizado na formação dos estudantes - mais importantes serão as competências pessoais: saber interagir com os demais, se comunicar, tomar decisões.

O movimento da escola da vida entende justamente que o ensino deve ir além dos conteúdos formais, abordando questões relacionadas ao cotidiano e desenvolvendo aptidões para enfrentar situações do dia a dia.

Exemplo

Com sede em Curitiba, a Grande Escola se descreve como “a escola das coisas que não se aprendem na escola”. Os cursos são curtos e variam do conteúdo mais filosófico até o mais prático: linguagem corporal, como fazer drinks, como ser mais produtivo. A ideia é reunir todos aqueles conhecimentos que antes você só aprenderia vivendo - ou perguntando para os seus pais.

conheça

A LISTA DE APLICATIVOS VOLTADOS PARA A EDUCAÇÃO É ENORME. QUE TAL COMEÇAR POR ESTES?

4. Novo Mindset do educador

É impossível falar das transformações no ensino sem passar por uma das figuras mais idealizadas do assunto, o professor. O novo panorama da educação questiona o papel do educador como o único detentor de conhecimento dentro da sala de aula. Em um cenário cada vez mais descentralizado, o aluno passa a ter mais autonomia e, com a tecnologia e internet, acesso a outras fontes de conhecimento na palma da sua mão.

O novo professor

Se antes o objetivo era apenas repassar o conteúdo para a plateia receptora, no novo contexto educacional, podemos enxergar o professor mais como uma espécie de mentor, aquele que estimulará a troca de experiências e conexões no ambiente escolar. A velha história do professor que aprende com os alunos nunca esteve tão atual.

No panorama realizado pela New Media Consortium, o conceito da sala de aula invertida (flipped classroom) aparece como uma das metodologias mais importantes para o cenário das universidades brasileiras. Nesse modelo, o protagonista da história já não é mais o professor e sim o aluno que, fora da classe, busca um caminho próprio para o aprendizado, como e-books, podcasts, grupos e palestras. Assim, ao invés de longas aulas expositivas, o mentor usa o tempo dentro da sala de aula para estimular a construção de projetos em que os alunos trabalham juntos para solucionar desafios.

Com uma relação nem sempre tão familiar com a tecnologia, o desafio, então, passa a ser o rompimento com as raízes herdadas do passado e a adaptação do professor às novas formas de ensino. Fomentando esse pensamento, surgem soluções que buscam ajudar instituições de ensino a repensarem suas metodologias de uma forma criativa, como o Scholé, curso da escola corporativa da Perestroika. Nele, as instituições se unem em um processo de cocriação de metodologias.

TENDÊNCIAS DA EDUCAÇÃO CONTEMPORÂNEA

5. A universidade do futuro

Com tantas mudanças acontecendo rapidamente e um perfil de aluno que tem cada vez mais dificuldade em se adaptar a antigos padrões de educação, começamos a enxergar novos caminhos possíveis a serem trilhados, novas instituições e iniciativas aparecendo e, também, tradicionais universidades mudando a sua forma de passar o conhecimento para frente.

Com os avanços da tecnologia e um ambiente virtual de ensino cada vez mais cheio de possibilidades, as escolas físicas também precisam se adaptar. E quais são as iniciativas que já estão começando a transformar o cenário da educação superior?

Stanford 2025

A tradicional Universidade de Stanford, tentando entender como o cenário se modificaria nos próximos anos, criou o projeto Stanford 2025, para explorar alguns movimentos de mudança educacional que começaram a acontecer por lá. A partir dessa observação, lançaram quatro pilares que propõem formas de se experimentar a vida acadêmica. Esses pilares sugerem novos caminhos a serem trilhados por uma instituição que tem mais de um século de idade e está pensando em um modelo mais flexível, focado na individualidade dos alunos.

Até 2025, Stanford terá que se adaptar para colocar o seu projeto em prática. Mas até lá, outras iniciativas já mostram que o que entendemos por universidade já está sendo modificado. Conheça algumas:

Como seria, então, a universidade dos sonhos?

A universidade do futuro é aquela que dá liberdade para os alunos aplicarem seu conhecimento e os estimula a buscar sempre mais em termos acadêmicos e humanitários.

A universidade do futuro será um meio de as pessoas conhecerem a si mesmas, descobrirem o seu propósito e, juntas, construírem conhecimento.

Esse modelo de universidade dos sonhos foi construído a partir de um lounge de discussão que contou com a presença de 4 estudantes de Belo Horizonte. Conheça um pouco mais sobre os participantes.