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#15

Eleições

Opinião x intenção de voto:

A corrida pela prefeitura de São Paulo

Corrupção. Manifestações. Impeachment. Inflação. Desemprego. O cenário político-econômico mais movimentado das últimas décadas trouxe consigo insegurança, indignação mas, principalmente, um desejo enorme de mudança. Dentro desse caldeirão de acontecimentos, as eleições municipais surgem como a primeira grande oportunidade para os brasileiros mostrarem que a relação com seus atuais e futuros representantes mudou. Será?

Eleições à vista

No dia 2 de outubro, mais de 140 milhões de eleitores irão às urnas para definir os líderes que estarão à frente da gestão de suas cidades. Como será que anda a cabeça e o coração de cada um desses eleitores? Será que já conseguiram encontrar candidatos que os representem de maneira satisfatória?

Para a realização desse estudo, a equipe do Atualize-me elegeu a capital paulista como universo. Nesse esforço, interações do Twitter foram mapeadas para criar uma espécie de termômetro a respeito dos principais candidatos à Prefeitura de São Paulo. O que já podemos adiantar? A opinião que cabe em 140 caracteres nem sempre é coerente com o que se observa nas pesquisas de intenção de voto.

Quem é quem?

João Doria Jr. PSDB

Werther Santana - Estadão

Empresário, publicitário, jornalista, apresentador de TV e político. Considerado um dos 100 líderes de melhor reputação do Brasil, segundo pesquisa realizada pela Exame.com em 2014, Doria foi Secretário de Turismo e presidente da Paulistur durante a gestão do prefeito Mário Covas em São Paulo (1983 e 1986). Como presidente da Embratur e do Conselho Nacional de Turismo (1986 a 1988), criou campanhas como “Respeite o turista” e “O Rio continua lindo”. Em 2001, se filiou ao PSDB e, em 2016, concorre pelo mesmo partido à Prefeitura de São Paulo.

Conheça as propostas do candidato aqui.

Fernando Haddad PT

JF Diorio - Estadão

O atual prefeito da cidade de São Paulo é bacharel em Direito, Mestre em Economia e Doutor em Filosofia. Ainda na faculdade, se filiou ao PT, mas só ingressou na vida política de fato em 2001, como subsecretário de Finanças e Desenvolvimento Econômico na gestão de Marta Suplicy à frente da Prefeitura de São Paulo. Em 2003, foi para Brasília trabalhar como assessor especial do Ministério do Planejamento e Finanças. Em 2005, assumiu o Ministério da Educação, onde permaneceu até novembro de 2011, quando foi lançado candidato do PT em São Paulo.

Conheça as propostas do candidato aqui.

Marta Suplicy PMDB

Estadão

Psicóloga, apresentadora de TV, sexóloga e política. Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores no início da década de 1980. Desde então, e como forte representante do partido, ocupou as funções de deputada federal, prefeita de São Paulo, ministra do Turismo (segundo governo do presidente Lula), ministra da Cultura (primeiro mandato de Dilma Rousseff) e senadora. Em setembro de 2015, rompeu com o PT e se filiou ao PMDB, partido que promove sua candidatura nesta eleição.

Conheça as propostas do candidato aqui.

Celso Russomano PRB

Reprodução - Globo

Famoso por comandar quadros que defendem os Direitos do Consumidor na televisão, Russomano é bacharel em Direito e repórter. Em 1994, foi o candidato mais votado para o cargo de deputado federal. Permaneceu na Câmara dos Deputados até 2010, quando partiu para a disputa ao governo de São Paulo. Em 2014, foi novamente o candidato a deputado federal mais votado do Brasil, tendo a segunda maior votação da história 1.524.286, perdendo apenas para Enéas Carneiro em 2002.

Conheça as propostas do candidato aqui.

Linha do tempo das campanhas

João Doria Jr. PSDB

24 • jul

PSDB oficializa a candidatura de João Doria Jr. à Prefeitura de São Paulo.

2 • Ago

Doria apresenta patrimônio de R$ 179,8 milhões à Justiça Eleitoral, passando a figurar como o candidato mais rico na eleição paulistana.

16 • ago

Começa a propaganda eleitoral gratuita.

26 • ago

Início da campanha eleitoral na TV e no rádio.

22 • ago

O Partidos dos Trabalhadores pede a impugnação da candidatura de Doria, questionando o uso de financiamento privado na campanha.

7 • set

Rede de postos Ipiranga processa João Doria Jr. pelo uso de bordão “passa lá” e filme da campanha é retirado do ar.

8 • set

O atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, grava sua primeira participação no programa eleitoral de Doria, demonstrando seu apoio ao candidato.

12 • set

Segundo matéria divulgada pela Veja São Paulo, o candidato calculou que gastaria R$ 10 milhões do próprio bolso com a campanha. Até agora, ele já contribuiu com R$ 1,2 milhão.

13 • set

Gestão Alckmin paga R$ 1,5 milhão ao empresário João Doria Jr. por meio de anúncios veiculados em sete revistas da Doria Editora entre 2014 e abril de 2016.

17 • set

A pouco mais de 15 dias das eleições, Doria recebe gravação de apoio do presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, mas ainda não conseguiu atrair nomes importantes do quadro do partido em São Paulo.

21 • set

Em entrevista à Band News, Doria diz que doará todo o seu salário caso seja eleito. “Tenho dinheiro suficiente para viver o resto da minha vida sem trabalhar”, afirmou o candidato.

Fernando Haddad PT

24 • jul

PT oficializa a candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo.

16 • Ago

Começa a propaganda eleitoral gratuita.

25 • ago

Segundo dados divulgados pelo DataFolha, gestão de Haddad é avaliada como ótima ou boa por 17% dos paulistanos. Sua nota como prefeito é de 4,1.

26 • ago

Início da campanha eleitoral na TV e no rádio.

9 • set

Lula entra na campanha com a bandeira “Nenhum direito a menos” para promover o candidato do PT.

11 • set

Apesar do pedido de Lula, Haddad diz que não vai se afastar do cargo de prefeito para se dedicar à campanha de reeleição.

21 • set

Sete em cada dez paulistanos desaprovam gestão de Haddad. Pesquisa realizada pelo Instituto Paraná indica 45,1% de rejeição.

Marta Suplicy PMDB

30 • jul

PMDB oficializa a candidatura de Marta Suplicy à Prefeitura de São Paulo.

16 • Ago

Começa a propaganda eleitoral gratuita.

26 • ago

Início da campanha eleitoral na TV e no rádio.

26 • ago

Marta Suplicy faz pausa na campanha para votar pelo impeachment de Dilma Rousseff e afirma que, após o processo, irá se licenciar do cargo de senadora para se dedicar à campanha.

14 • set

Convites para jantar de arrecadação da campanha de Marta chegam a custar R$ 7,5 mil.

16 • set

Para lançar seu novo disco, Supla, filho de Marta Suplicy, publica vídeo em que recita: “Minha mãe é golpista, meu pai é petista e eu sou anarquista”.

Celso Russomano PRB

24 • jul

PRB oficializa a candidatura de Celso Russomano à Prefeitura de São Paulo.

16 • Ago

Começa a propaganda eleitoral gratuita.

20 • ago

O deputado omite duas de suas empresas na declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral e afirma que se tratou de um equívoco de seu contador.

26 • ago

Início da campanha eleitoral na TV e no rádio.

26 • ago

O nome de Celso Russomanno é citado em relatório da Polícia Civil no inquérito da Operação Alba Branca, que investiga fraudes em licitações da merenda escolar no Governo do Estado de São Paulo.

1 • set

Russomano afirma que Uber está na ilegalidade e que não vai permitir que carros que não tenham placa vermelha, usada pelos táxis, realizem o transporte individual de passageiros na capital paulista.

19 • set

Vídeo de Celso Russomano discutindo com a caixa de um supermercado começa a circular nas redes sociais.

Intenção x emoção

Twin Design / Shutterstock.com

Na era da tecnologia e do smartphone, as redes sociais se tornaram uma espécie de termômetro quando o assunto é a opinião do público. No caso das eleições, não poderia ser diferente. Associadas às tradicionais pesquisas de intenção de voto, plataformas como o Twitter passam a figurar como espaços de troca de informação, compartilhamento de críticas e de mensagens de apoio aos candidatos. A vantagem? A possibilidade de avaliar a estratégia da campanha, a repercussão de suas ações e o desempenho nos debates em tempo real.

Para desenhar a arena competitiva dos principais nomes que hoje disputam a Prefeitura de São Paulo, o Atualize-me capturou mais de 130 mil interações do Twitter (33 mil válidas). Aquelas consideradas válidas foram categorizadas e analisadas de acordo com o momento da campanha: pré-campanha, ou seja, antes de os comerciais irem ao ar; primeira quinzena da campanha, que engloba a primeira quinzena dos esforços de marketing de cada candidato, e, por fim, a segunda quinzena da campanha, que diz respeito à primeira metade do mês de setembro.

Twitter: menções positivas

Como destruir um reaça com muita educação, paciência e elegância. Aula com Fernando Haddad.

João Doria é empresário de sucesso. Sabe que precisamos colocar o mercado para funcionar. Sabe que precisa cuidar de SP!

Marta quer fazer ensino integral em parceria com comunidades de SP.

Celso Russomanno se saiu muito bem na resposta sobre opinião das 12 horas trabalhadas propostas por Temer.

Twitter: menções negativas

O Dória é tipo a Bel Pesce da Política: fala muito, mas produziu muito pouco até hoje.

O discurso 'não sou político, sou gestor' de Dória foi usado por Collor e Berlusconi e é o mesmo de Trump.

O Haddad não parece muito feliz, mas logo isso muda. Ele vai ter tempo de sobra para usar as ciclovias.

O Haddad não teve capacidade de resolver os problemas mais básicos da cidade em quase 4 anos e agora quer uma segunda chance?

Celso Russomanno é um ator nato. Como pode ser tão calmo com suas mentiras?

Com criatividade, não se gasta dinheiro", diz Russomanno. Vou tentar essa amanhã no supermercado.

Se a bruxa da @marta_prefeita vencer a eleição, rasgo meu título de eleitor e nunca mais votarei na vida.

@marta_prefeita defendendo aposentadoria aos 70. Essa mulher não vale R$ 1

EFEITO DAS CAMPANHAS

O horário eleitoral em TV e rádio, as estratégias em diferentes mídias e os debates causam impacto, positivo ou negativo, nas campanhas dos candidatos. Esses reflexos também são percebidos nos comentários gerados nas redes sociais, que são sim um indicador do cenário, mas não são uma representação da intenção de voto da população.

As pesquisas realizadas por institutos tradicionais, que objetivam simular verdadeiramente o resultados das urnas é que cumprem esse papel. Segundo a mais famosa e frequente delas em épocas eleitorais, a Datafolha, Russomano e Marta lideram o ranking na mente dos eleitores. Mas será esse um reflexo fiel do que observamos nas redes sociais?

Para o comparativo foram consideradas apenas as menções válidas captadas para cada candidato. Ou seja, menções com conteúdo considerado irrelevante ou neutro não foram consideradas para efeito da avaliação da relação entre o que se comenta nas redes sociais e a intenção de voto da população.

O Twitter não é o brasil

Twin Design / Shutterstock.com

O paralelo construído a seguir entre intenção de voto e o sentimento captado no Twitter deve ser analisado com cuidado. Enquanto as pesquisas eleitorais realizadas pelo Datafolha buscam uma amostra que represente a população brasileira em sua completude, o Twitter tem um público específico. Assim, as relações apresentadas podem não retratar fielmente a opinião do brasileiro, e sim a de uma parcela específica da população.

Para que se entenda o público do Twitter, plataforma escolhida para este monitoramento, seguem alguns dados demográficos de seus usuários ativos, determinados em pesquisa recente da consultoria E.Life:

• 48%: M // 52% H
• Classe A: 12% // Classe B: 56% // Classe C: 56% // Classe D: 15%
• 60% dos usuários com idades entre 20 e 40 anos

João Doria Jr. PSDB

A primeira quinzena da campanha de João Dória, apesar de trazer um volume significativo de comentários no Twitter, não foi eficaz no sentido de ampliar a intenção de voto do candidato junto à população. Houve uma queda nas menções positivas, coerente com a pequena redução na intenção de voto.

Já a segunda quinzena da campanha parece ter causado um efeito mais visível: além de um aumento de 11% nas intenções de voto do candidato, houve um crescimento muito relevante das menções positivas captadas a seu respeito.

Fernando Haddad PT

A primeira quinzena da campanha de Fernando Haddad acabou gerando menos comentários no Twitter se comparada ao período anterior. Ainda assim, não houve variação na intenção de votos e o percentual de menções positivas e negativas é bem próximo.

A segunda quinzena trouxe um volume de menções muito maior em relação ao período pré-campanha – e até mesmo em relação à primeira quinzena de campanha. No entanto, mesmo com mais menções, não houve alterações relevantes no sentimento dos internautas nem nas intenções de voto.

Marta Suplicy PMDB

A campanha de Marta é a que mais causou variação no volume de menções a respeito da candidata no Twitter. No entanto, esse índice se apresenta justamente porque havia poucos comentários sobre a candidata antes do período eleitoral.

A primeira quinzena da campanha trouxe um adicional muito grande de menções positivas em relação à candidata, mas não houve alteração nas intenções de voto. Já na segunda quinzena, apesar de um crescimento de cinco pontos percentuais na pesquisa, as menções negativas voltaram a ser dominantes no Twitter.

Celso Russomano PRB

A primeira quinzena da campanha de Celso Russomanno conquistou seis pontos percentuais de intenção de votos para o candidato que, além de ter sido menos comentado no Twitter, perdeu grande parcela de menções positivas, o que demonstra uma inversão entre o sentimento do usuário dessa rede social e a intenção de voto.

A mesma inversão se repete na segunda quinzena: o candidato foi mais comentado e teve mais menções positivas, mas perdeu 5 pontos percentuais na pesquisa eleitoral do Datafolha.

Atualização:
Na data de fechamento desta edição, o Instituto DataFolha publicou nova pesquisa de intenção de votos para a Prefeitura de São Paulo, agora segmentando os resultados também por renda, sexo, idade, escolaridade e religião.

De maneira geral, foi possível observar que Doria cresceu junto aos eleitores do sexo feminino, na categoria etária de 45 anos em diante, entre eleitores com ensino superior e de maior poder aquisitivo. A popularidade do candidato Russomano caiu entre os jovens, enquanto a de Marta subiu nessa mesma faixa etária.

Por Onde anda o candidato ideal?

Joseph Sohm / Shutterstock.com

Sem dúvida, a pergunta que assume lugar de título do nosso capítulo final sintetiza o sentimento dos paulistanos usuários do Twitter. As duras críticas mapeadas superam os elogios, estendem-se a todos os candidatos e falam sobre despreparo, cinismo, falta de conhecimento das cidades, das leis e discursos vazios.

As interações mapeadas mostram que há um problema claro, entre aqueles que se manifestam nas redes sociais e fazem parte de uma parcela ainda restrita da população brasileira: falta identificação com as propostas dos candidatos e há insegurança em relação ao histórico político de cada um deles.

No entanto, essas preocupações não aparecem traduzidas nos dados divulgados pelas pesquisas eleitorais, o que faz com que todos os potenciais ocupantes do cargo ganhem alguma vantagem na corrida rumo à administração da maior cidade do país.

Por fim, e apesar de já fazer parte do leque de possibilidades de uma campanha desde eleições anteriores, as redes sociais seguem sendo exploradas, na maior parte do tempo, como mais um canal de divulgação unilateral, como o rádio ou a TV. Com isso, os candidatos e seus partidos perdem a oportunidade de estabelecer um diálogo real e próximo daqueles que pretendem representar.

ola@atualizeme.com