Transportes

Transporte e Inovação: Os desafios da mobilidade urbana

O universo dos transportes causou muitas revoluções e participou de várias outras no nosso mundo. Do desenvolvimento do motor a vapor até a entrada dos carros elétricos no mercado, as conquistas acabaram por impor também muitos desafios. A poluição e a mobilidade urbana são hoje os maiores exemplos de que ainda precisamos aprender a nos deslocar de maneira mais sustentável e inteligente. Mas, por onde começar? Apertem os cintos, porque a viagem é longa e começa junto com a história do homem.

abr.2016

Pare um minutinho e pense nas atividades que você faz durante o dia. Agora pense quais dessas atividades dependem de algum tipo de sistema de transporte. Se sua resposta foi "todas", você faz parte da maioria das pessoas que depende - muito - dos transportes.

E não estamos falando apenas de veículos. A primeira coisa que precisamos entender sobre transportes é que eles não se limitam a veículos. São muito mais que isso: são formas de conexão. É por isso que uma das coisas mais importantes de uma sociedade é o direito de ir e vir. É porque conseguimos nos locomover que entramos em contato com diferentes lugares, pessoas e ideias. O nosso dia a dia só existe porque estamos em constante movimento. Imagine ficar parado em um mesmo canto para sempre. Ficaríamos para sempre isolados?

Precisamos sair de um lugar para outro. A noção de que isso era possível levou ao estilo de vida nômade, responsável, nos primórdios da civilização, pela disseminação da espécie humana pelo planeta. Ao longo da história, o transporte contribuiu para o desenvolvimento do comércio entre regiões, intercâmbios econômicos e culturais, além da troca de conhecimentos científicos. As viagens de Marco Polo, as Grandes Navegações, o Império Romano e suas estradas que cortavam a Europa. Guerras foram ganhas e perdidas graças ao domínio de diferentes modais de transporte de pessoas e cargas.

Vamos ver como tudo isso evoluiu com o tempo?

1. Indo e vindo: a evolução dos meios de transporte

Desde que aprendemos que poderíamos ir de um lugar para outro, o objetivo sempre foi encontrar uma forma ou ferramenta que nos ajudasse a ir mais longe, mais rápido. Hoje em dia temos também a preocupação de como viajar de forma mais eficiente.

4.000 - 3.000 a.C.

Nessa época aconteceram as primeiras domesticações de burros e cavalos, para que servissem de meio de transporte. A roda só surgiu em 3.500 a.C., na região onde hoje é o Iraque, permitindo a construção de carroças rudimentares a serem puxadas pelos animais.

3.000 a.C.

Os primeiros barcos foram criados, construídos a partir de troncos de árvores em formatos que lembram as canoas. Os egípcios criaram o barco a vela, utilizando o papiro. Já os romanos começaram a abrir uma extensa rede de estradas, para que fossem usadas pelo seu exército.

Idade Média

Nessa época, o transporte terrestre não teve grandes avanços. No entanto, foi a época de ouro do transporte marítimo, que floresceu. Nesse meio tempo, Leonardo da Vinci já teorizava sobre máquinas voadoras de transporte.

Séc. XVI e XVII

As maiores inovações dessa época estão na abertura das ruas e estradas e também na criação dos primeiros canais fluviais. No entanto, os meios de transporte permaneceram os mesmos, sendo o cavalo o principal.

Séc. XVIII

Somente no século XVIII, começamos a ver os meios de transporte modernos começarem a tomar forma. O balão de ar quente foi inventado em 1783 e a bicicleta apareceu em 1790, transformando-se em um hobby em pouco tempo.

Séc. XIX

No final do século XIX, uma das maiores invenções da história humana, que levou à Revolução Industrial, aconteceu: o desenvolvimento do motor a vapor. Foi nessa época que os meios de transporte evoluíram de carroças puxadas por animais para locomotivas e de barcos a vela para navios a vapor, permitindo viagens muito mais rápidas e eficientes.

1860

Ônibus ainda puxados por cavalos começam a circular pelas cidades. Em 1863, o primeiro metrô, que funcionava a vapor, foi criado em Londres.

1873

Durante a Revolução Industrial, a eletricidade foi desenvolvida e as propriedades energéticas de substâncias como carvão, petróleo e gás natural foram descobertas, motivando ainda mais inovações. O motor de combustão interna começou a tomar forma.

1885

A máquina que seria considerada o primeiro carro foi criada por Karl Benz, com motor de combustão interna. Mais ou menos dez anos depois, o zepelim é lançado e os irmãos Wright voam com o primeiro avião.

1901

Apesar de existirem protótipos de um monotrilho suspenso em vilarejos alemães desde 1897, o monotrilho de Wuppertal, considerado o primeiro da história, começou a fazer viagens regulares em 1901.

1908

A inovadora linha de produção em massa de Henry Ford é estabelecida em Detroit. Surge, então, o primeiro carro verdadeiramente acessível, o Model T. O preço inicial era de 950 dólares, mas, ao longo dos 19 anos em que foi comercializado, chegou a cair para 280 dólares. Em 1914, graças às constantes evoluções da linha de montagem, a fábrica da Ford já conseguia montar um chassi completo em 93 minutos.

1958

Os monotrilhos suspensos começam a ganhar popularidade no Japão, como uma alternativa para a questão do espaço urbano, que é limitado no país. O da cidade de Tokyo, inaugurado em 1964 para os Jogos Olímpicos, é recordista em transporte de passageiros.

1970

Depois da Primeira Guerra Mundial, os carros ficaram mais baratos, mas se popularizaram de verdade apenas após a Segunda Guerra Mundial. Ainda assim, apenas 32% das famílias tinham um carro em 1959. Eles se tornaram realmente comuns a partir da década de 1970, quando a maioria das casas passou a contar com um. Nessa mesma época, o Toyotismo começou a ser empregado nas linhas de produção japonesas e, depois, no mundo.

2006

No Brasil foi iniciado o desenvolvimento de uma versão elétrica do Palio Weekend, da Fiat, liderado pela Itaipu. O carro tem mudanças no interior, mas a parte externa é exatamente igual às outras versões comercializadas do carro. Com emissão zero de poluentes e praticamente nenhum ruído, o veículo circula em reservas ecológicas do país, como Foz do Iguaçu e Fernando de Noronha.

Daqui pra lá

Foram muitas mudanças nos meios de transporte até chegarmos ao que estamos acostumados, atualmente. Veja abaixo a evolução dos transportes ao longo dos anos.

2. Mobilidade urbana

Falar sobre a evolução dos meios de transporte significa, inevitavelmente, colocar em pauta um dos maiores desafios de tantas metrópoles ao redor do mundo: a mobilidade urbana. Isso porque, a cada ano, a frota de veículos cresce assustadoramente e as obras viárias já não são mais capazes de suportar o fluxo. Em 2008, alcançamos a marca global de um bilhão de veículos. Somente no Brasil, são mais de 40 milhões de carros em circulação (dados referentes ao ano de 2014 do Sindicato Nacional de Componentes para Veículos Automotores).

‍Fonte: dados retirados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes ao ano de 2013.

De acordo com um estudo realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgado em setembro de 2015, dos brasileiros que moram em municípios com até 20 mil habitantes, apenas 16% gastam mais de uma hora em seu deslocamento diário. Esse percentual chega a 39% entre aqueles que vivem em cidades com mais de 100 mil habitantes – desses, 12% gastam de duas e três horas, e 4% ficam mais de três horas no trânsito por dia.

‍Fonte: pesquisa elaborada pela empresa holandesa de tecnologia de transporte TomTom, que analisou o trânsito em 146 grandes cidades do planeta a partir de dados de GPS e de aplicativos de celulares.

Os brasileiros que andam de ônibus são aqueles que mais perdem tempo em seus deslocamentos diários. Metade dos que dependem de meio de transporte público gastam mais de uma hora no trânsito. Para aqueles que utilizam transportes fretados, o percentual cai para 42%. E ainda: 24% para os que andam de carro próprio, 19% para quem anda de bicicleta, 18% para os que utilizam mais a moto e 14% para quem vai a pé.  Essa realidade faz com que, a cada ano, aumente a quantidade de brasileiros que consideram o nosso transporte público ruim ou péssimo.

‍Fonte: Pesquisa CNI 2015.

Tempo é dinheiro

Mais de 60 bilhões de reais. Esse é o custo adicional gerado por ano à economia se considerarmos o tempo perdido pelos brasileiros em seus deslocamentos diários nas regiões metropolitanas do país – e que poderia estar sendo utilizado para atividades produtivas. O valor corresponde a oito vezes a quantia investida anualmente em mobilidade urbana. É o que indica o estudo liderado por Armando Castelar, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

O transporte em Minas

Em Belo Horizonte e região metropolitana, a população se depara com uma realidade bastante semelhante. Dependentes de uma estrutura de transporte público ainda precária, os mineiros têm seus deslocamentos comprometidos e se veem “agarrados” durantes horas em congestionamentos.

Carro na garagem

Há a percepção de que ter o carro é essencial para a organização pessoal diária. Sem ele, não seria possível cumprir tarefas básicas do dia a dia.

Principal meio de transporte utilizado no dia a dia

Tempo passado no trânsito

Em um dia comum de trabalho

De fato, a falta de linhas de transporte público que atendam mais regiões da cidade – tornando assim a necessidade de baldeações menor – é uma das principais questões apontadas pelos respondentes. Mais uma vez, o ônibus aparece como principal meio de transporte: 68% responderam utilizá-lo em um dia comum, contra 48% que utilizam o carro.

Vou de táxi

13% afirmam utilizar táxi ou Uber no seu dia a dia de trabalho. Inclusive, já existem levantamentos que demonstram que andar de táxi pode ser mais em conta do que manter um carro, dependendo do número de quilômetros rodados por dia.

Meio de transporte ideal

Satisfação com o transporte público

O metrô é mais prático, econômico e polui menos.

Seria ideal pela velocidade, agilidade e pontualidade. No entanto, na cidade não há uma malha que favoreça nem número de vagões que dê comodidade.

É mais ágil, porém, em Belo Horizonte, não há uma estação que forneça ligação com toda a cidade, o que torna essa opção inviável.

O metrô aliviaria o trânsito da cidade, gerando menos congestionamentos.

Razões para a escolha do meio de transporte ideal

Muitas pessoas escolhem o carro como meio de transporte principal, portanto, “para não depender de ninguém”. O metrô seria ideal por também ser econômico.

Todas, estamos falando de transporte público.

Mais linhas e estações atendendo mais regiões.

Atender mais locais na cidade.

A quantidade de pessoas que utiliza esse meio de transporte é muito grande. Ele deve cumprir as demandas de horário e aumentar a quantidade de viagens.

Não existe conexão para ônibus na maioria das estações, então você tem que pagar duas passagens.

Aplicativos de carona e o SIU Mobile

Soluções

Gestão do espaço público

Bons exemplos de como gerir o transporte com eficiência, diversidade e respeito ao meio ambiente crescem, mas principalmente nos países desenvolvidos. Até 2020, a Europa terá 70 mil quilômetros de ciclovias interligando 43 países. China, Inglaterra e Nova Iorque investem de maneira contínua na ampliação de linhas de metrô e em formas inovadoras de transporte público. Enquanto isso, os moradores de nações subdesenvolvidas ainda são escravos do trânsito.

Paris

Com uma das maiores densidades populacionais da Europa, Paris está se reinventando para priorizar a circulação de pedestres em praças como a Bastilha e tantas outras espalhadas pela cidade. Os carros podem até não desaparecer completamente ao longo dos próximos anos, mas os grandes congestionamentos, que comprometem a saúde dos parisienses, vão ceder lugar para uma nova paisagem de interseções verdes e sem veículos.

3. Cidades também precisam respirar

Durante muitas décadas, os meios de transporte “da vida real” (não estamos falando aqui de jatos, foguetes e outras formas de transporte tão específicas) atingiram um platô de desenvolvimento. No caso dos carros, que é o mais próximo de nós, isso se deve principalmente ao estabelecimento do motor à combustão interna como o mais eficiente.

Explicando: antes de Ford, carros não eram exatamente populares, como vimos na linha do tempo. Na época, o modelo "ideal" para um carro ainda não estava estabelecido: você poderia encontrar modelos movidos a vapor, a combustão interna, movido principalmente a gasolina e gás natural, e a eletricidade – sim, carros elétricos não são novidade. O que determinou a escolha da combustão interna como preferencial foi justamente sua "escalabilidade", isto é, o fato de ser o sistema mais fácil de ser reproduzido em larga escala. Foi o que Ford fez e, bom, o resto é história.

Isso tudo permitiu a explosão da indústria automotiva e a adaptação do motor a combustão interna para diversas outras atividade e, basicamente, moldou o mundo industrial como conhecemos hoje. Mas nos deixou também com um problema danado. Com o gradual abandono de outras tecnologias em favor da combustão interna, nos tornamos excessivamente dependentes de combustíveis fósseis. No século passado, isso não parecia um problema: com reservatórios de petróleo subterrâneos sendo descobertos a todo momento, o petróleo parecia ser uma fonte infinita de energia. Hoje, sabemos que não é. Mais importante ainda: sabemos que a queima de combustíveis fósseis é uma das principais causas do aquecimento global.

Os carros são responsáveis por um pedaço grande das emissões de gases estufa na atmosfera – para se ter uma ideia, eles chegam a poluir 36 vezes mais por passageiro do que o metrô, a alternativa mais ecológica de transporte urbano, sendo responsáveis por 66% das emissões de CO2 nas cidades brasileiras.

Fonte: http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/5574/1/BRU_n05_emiss%C3%B5es.pdf

Assim, os olhos das indústrias se voltam hoje para tecnologias alternativas de transporte, que possam substituir o famigerado motor movido a combustível fóssil. Por outro lado, a sociedade também começa a fazer a sua parte, adotando cada vez mais meios de transporte mais sustentáveis.

Plugados na tomada

Uma das alternativas mais promissoras do mercado automotivo são os veículos com motores movidos a eletricidade. Se antes os elétricos ficavam restritos aos carrinhos de golfe e eram sinônimo de pouca eficiência, nos últimos anos eles se tornaram a menina dos olhos das grandes montadoras.

No último Salão do Automóvel de Genebra, um dos maiores do mundo, foram apresentados modelos híbridos e totalmente elétricos de marcas como Audi, Porsche, Mitsubishi, Volkswagen, Toyota, Renault, Nissan, Honda, Suzuki, Fiat, Volvo, Citroën, Peugeot e Mercedes Benz, já prontos para ir às ruas. Hyundai e Kia, por sua vez, apresentaram pela primeira vez em suas histórias modelos ecológicos.

Quem é quem no mundo elétrico

O pioneiro nessa história de carros elétricos, você deve conhecer o nome, foi o Toyota Prius, cuja primeira versão foi lançada há quase 20 anos e tornou-se o ícone dos automóveis verdes. Mas você sabia que o Prius não é totalmente elétrico, e sim um híbrido? Mas qual a diferença entre os dois?

Híbridos ou HEV

Possuem dois motores em sua configuração: um elétrico e um de combustão interna. Você não precisa ligar um HEV na tomada – a bateria é recarregada durante a utilização do outro motor. Além disso, a bateria ainda pode receber carga de um sistema de recuperação de energia cinética dos freios, que também é visto em carros de Fórmula 1.

Principal representante: Prius

Híbridos Plug-in ou PHEV

São carros elétricos que você, literalmente, pluga na tomada de casa para recarregar. A maioria deles tem autonomia suficiente para que alguém consiga cumprir suas tarefas do dia a dia. Porém, para viagens mais longas, um PHEV vai precisar acionar seu motor a gasolina.

Principal representante: Chevrolet Volt

Carros movidos a hidrogênio

São completamente elétricos, mas, em vez de utilizarem baterias, seus motores são movidos a células de hidrogênio. O motorista precisa abastecer seu carro com hidrogênio comprimido que, em contato com oxigênio, produz eletricidade e libera água. O problema é que essa é uma tecnologia bastante cara para ser implementada em larga escala e, por enquanto, tem presença significativa apenas no Japão.

Principal representante: Toyota Mirai

Carros elétricos (EV)

são alimentados por uma grande bateria – como um celular, guardadas as devidas proporções – que precisa ser trocada ou recarregada de tempos em tempos. Não há motores a combustão de suporte envolvidos.

Principais representantes: Nissan Leaf, Hyundai Ioniq, BMW i3, Tesla Roadster, Tesla Model S

Embora haja o argumento forte da sustentabilidade, a aceitação generalizada de carros elétricos passa por dois quesitos essenciais: a autonomia das baterias utilizadas e o desempenho do motor. Afinal, muitas pessoas não trocariam seus carros se isso levasse a uma perda significativa de potência e a um ganho significativo de trabalho. Além disso, carros movidos a eletricidade, até por serem menos comuns, são normalmente bem mais caros do que carros comuns – e lembre que o grande ganho do Fordismo foi justamente baixar os preços dos veículos para sua popularização.

Tesla, quem realmente
mudou o jogo

 

A verdade é que carros movidos a gasolina já estão tão consolidados em nossa sociedade que todo um sistema de apoio já foi criado em torno deles, de mecânicos a postos de abastecimento. Quem faria o mesmo pelos elétricos? É aí que entram os principais nomes dessa revolução: Elon Musk e Tesla.

Nascido na África do Sul, Musk é a cara e a mente por trás das principais evoluções no setor de transporte. Através da Tesla, queria demonstrar que era possível a existência de um carro que fosse elétrico, mas mantivesse as principais características de um carro a gasolina – sendo a principal delas um bom desempenho em pista.

Criada em 2003 na Califórnia, a empresa chamou a atenção do mercado apenas em 2008 com o Roadster, o primeiro esportivo de luxo movido a eletricidade. O sucesso comercial veio com o Model S, lançado em 2012 e considerado o carro elétrico com maior autonomia do mercado, podendo rodar por mais de 400 km sem precisar recarregar suas baterias. Apenas como comparação, o Chevrolet Volt, o híbrido que é um de seus principais concorrentes nos Estados Unidos, roda por apenas 61 km antes de acionar o motor a gasolina. O Prius não chega nem a 20 km.

Ainda assim, o Model S é considerado um carro caro, para os padrões do consumidor médio. Porém, o sucesso dele abriu caminho para o desenvolvimento do Model 3, o primeiro Tesla realmente acessível e com autonomia ainda superior a dos concorrentes. O lançamento oficial está marcado para 2017. A expectativa de Musk é atingir a marca de 500 mil carros da Tesla vendidos por ano até 2020.

Os planos de Musk não param por aí. Lembra que a gente comentou sobre todo o universo em torno dos carros a gasolina? Ele está preparando-se para criar o mesmo para os elétricos. A maior fábrica de baterias do mundo – apropriadamente batizada de Gigafactory – está em construção, ao valor de 5 bilhões de dólares. A ideia é fornecer baterias cada vez mais eficientes para o mercado. Além disso, o empresário é responsável pela instalação de uma grande rede de Superchargers, isto é, pontos de recarga e troca rápida (rápida mesmo! A ideia é que, em 90 segundos, o motorista já possa sair da estação) de baterias ao longo das estradas dos Estados Unidos. Seriam os "postos de gasolina" dos carros elétricos. Tudo para facilitar a adoção generalizada desse tipo de veículo.

Se você achava que as inovações de Musk no setor dos transportes se "limitava" somente à SpaceX e ao universo Tesla, não se esqueça de que ele também é o responsável pela criação do Hyperloop, o conceito de transporte em alta velocidade que vimos na edição de Viagens do Atualize-me. A ideia é que ele esteja funcionando já em 2018 e faça a viagem entre Los Angeles e São Francisco em menos de 40 minutos. A expectativa de especialistas é que o número de jornadas (medidas em passageiro/quilômetro) triplique até 2050, devido ao crescimento populacional, e ruas convencionais não conseguirão absorver esse aumento. Nesse cenário, o Hyperloop é uma das principais apostas para a solução do transporte. Considere-o como a ferrovia dos Jetsons.

 

O que ainda está por vir

Embora os carros movidos a eletricidade ainda não tenham sido adotados em massa e pareçam uma ideia para daqui a muitos anos, a verdade é que eles já fazem parte do nosso presente. E o futuro desses carros, como parece? Já temos algumas dicas:

Google

O Google já tem um carro sem motorista em pleno funcionamento. As previsões dão conta que carros autônomos de grandes montadoras podem chegar no mercado já em 2017/2018.

iCar

Há rumores – não confirmados, mas também não negados – de que a Apple estaria trabalhando em um veículo para ser lançado na próxima década, o iCar.

Veículos individuais

Prevê-se a adoção cada vez maior de veículos individuais para pequenos trajetos. É o caso, por exemplo, do OneWheel, do AirWheel e do Honda UNI-CUB.

É importante lembrar que a adoção generalizada de carros autônomos e veículos individuais exigiria também uma mudança urbanística. Ao invés de organizarmos nossa vida em torno do meio de transporte, o transporte seria cada vez mais adaptado às nossas necessidades. Estamos preparados para esse futuro?

4. Carros compartilhados

O car sharing é um sistema de aluguel temporário de carros. O usuário se inscreve, paga uma taxa inicial e já está apto a buscar um carro em alguma das estações espalhadas pela cidade. Com o car sharing, a pessoa poderia utilizar o veículo apenas no momento necessário e liberá-lo para outras pessoas em outros momentos. Assim, o número de automóveis nas ruas diminuiria.

A principal empresa de car sharing no mundo é a Zipcar. De todos os usuários do serviço no mundo, metade são da empresa. Sua adesão é de um em cada cinco adultos em cidades como São Francisco e Montreal.

Essa ideia também tem seus críticos: há quem diga que a disponibilidade de veículos para trajetos e períodos de tempo curtos estaria, na verdade, estimulando pessoas que antes andariam a pé ou usariam bicicletas ou outros meios de transporte individuais a usarem o carro.

 

Parecido com o car sharing, mas mais relacionado com as comunidades nas quais as pessoas estão inseridas, os serviços peer-to-peer (P2P) baseiam-se na ideia de que, em muitos casos, as pessoas mantêm carros, mas não os usam todos os dias/o dia inteiro. Como a Paparide, um sistema de compartilhamento permite que o carro seja alugado entre indivíduos – e não empresas.

 

O novo momento das locadoras

Quando o assunto é locação de carros, segundo dados da Associação Brasileira do Setor de Locação de Veículos (Abla), há 26,8 milhões de usuários do serviço no país:

Em Belo Horizonte, o serviço de aluguel de carros ainda é muito associado a viagens. A possibilidade de utilização desse tipo de empresa para resolver problemas do dia a dia ainda parece distante.

Com a intenção de fazer parte do movimento de car sharing, e aproveitando uma demanda que tende a crescer no país, algumas locadoras, como a Localiza e a Movida, encontraram outra forma de se inserir entre as novidades do mercado: estão se tornando parceiras da Uber, oferecendo veículos de acordo com as especificações da startup para motoristas do aplicativo. Mas, para que esse futuro se torne realidade, a atuação da Uber precisa ser aceita no Brasil.

Belo-horizontinos votam a favor da Uber:

Nesse sentido, podemos entender que, ame-a ou a odeie, a Uber representa um aspecto da tendência de buscar alternativas ao próprio carro e compartilhamento de corridas e rotas. Existem diversos outros aplicativos de combinação de carona e compartilhamento de carros que estão andando por um caminho parecido.

Zumpy - Uma iniciativa mineira

O aplicativo tem com principal objetivo unir pessoas que precisam fazer o mesmo trajeto no mesmo horário e, assim, diminuir quantidade de carros nas ruas, a poluição e o tempo gasto no trânsito, trazendo um impacto positivo no tráfego urbano e despertando a consciência socioambiental. Tudo isso, com a segurança de poder associar-se apenas com amigos e conhecidos do próprio círculo social.

 

5. Carros: objetos de desejo?

A guinada para a eletricidade dentro do universo automotivo é um sinal forte da preocupação da sociedade com o meio ambiente. Porém, está longe de ser a única alternativa para quem quer se locomover no dia a dia de forma mais sustentável.

Durante muito tempo, ter um carro foi visto como essencial em grandes centros urbanos, embora essa percepção varie de acordo com a disponibilidade e a qualidade de alternativas de transporte público. Tirar carteira de motorista e ter o primeiro carro era praticamente um rito de passagem para o jovem adulto, tão importante quanto passar no vestibular.

Bom, não mais. Vários relatórios de tendências apontam que o carro está deixando de ser um objeto de desejo para os mais jovens. De acordo com pesquisa da AAA Foundation for Traffic Safety, o número de carros vendidos para a chamada geração Y – que, sim, já tem idade para dirigir – caiu 30% nos últimos anos. É difícil apontar uma razão específica para esse novo comportamento, porém o mesmo estudo sugere que, enquanto gerações passadas expressavam sua liberdade, identidade e independência com o carro (pense em termos de Ferris Bueller em "Curtindo a Vida Adoidado"), os jovens de hoje utilizam seus canais sociais para isso. Para eles, é melhor gastar com um bom plano de celular do que com a gasolina do mês.

Gerações mais maduras também estão deixando de ter carro. Em busca de um estilo de vida mais saudável e sustentável, muitos estão passando a andar a pé ou de bicicleta. Além disso, a piora do trânsito em grandes cidades e os altos valores de manutenção de um veículos também têm contribuído para a busca de alternativas.

As bicicletas ganham espaço

Muitas cidades têm investido na construção de ciclovias. Além de uma mudança comportamental da população, a adoção da bike também significa ganhos monetários para a cidade. Pelo menos é o que dizem estudos da Dinamarca, que apontam que, para cada quilômetro rodado em duas rodas, há um lucro de 23 centavos para a cidade, enquanto um quilômetro rodado de carro significa um prejuízo de 16 centavos.

Do ponto de vista energético, a bicicleta é também o meio mais eficiente:

Falando especificamente sobre ciclovias em Belo Horizonte

A falta de respeito e a insegurança no trânsito, de fato, são apontadas como razões para a não adoção da bicicleta no dia a dia.

O que os mineiros pensam sobre andar de bike:

As vantagens da utilização da bicicleta, na visão dos entrevistados mineiros, estão principalmente nos benefícios para a saúde e para o meio ambiente, a diminuição do trânsito e a economia. Andar de bike é visto como um estilo de vida. Por outro lado, a principal desvantagem para a bicicleta em BH, além dos citados acima, é a topografia da cidade. O fato de existirem muitos morros no caminho desanima a maioria das pessoas.

É ecologicamente correto, não tumultua o trânsito e exercita corpo e mente.

Contribui com o meio ambiente, é uma atividade física, mas Belo Horizonte precisa de uma estrutura melhor.

Moro em uma cidade de morros. O transporte por bicicleta é desgastante e inseguro.

É um meio de transporte não poluente, saudável e econômico. Porém, a insegurança das vias e o medo de ser assaltada me privam desse direito. Então uso a bike apenas aos fins de semana ou como esporte.

Acho perigoso devido ao desrespeito dos motoristas.

Segundo a pesquisa Origem e Destino, realizada a cada dez anos pela BHTrans, a previsão é que, em 2020, os belo-horizontinos façam cerca de 250 mil viagens de bicicleta por dia, um aumento de quase 100% das 130 mil contabilizadas em 2012.

As 20 cidades mais bike-friendly do planeta

Para quem quer começar a andar de bicicleta por BH:

6. Transporte como hobby

Hoje, a bicicleta pode até ser seu meio de transporte de escolha, mas aposto que você aprendeu a andar de bike como uma forma de diversão e lazer, não é mesmo? Pois é, praticamente todos os meios de transporte estão presentes no dia a dia das pessoas não apenas de forma prática – é preciso ir do ponto A ao ponto B – como também enquanto esporte, hobby e cultura.

Automobilismo

Dizem que brasileiro é apaixonado por carro e que, depois do futebol, automobilismo é nosso esporte nacional. A verdade é que corridas de carros (e motos, caminhões, ônibus, karts, carrinho de rolimã…) são tão antigas quanto os próprios veículos em si. A primeira prova aconteceu em 1894, em Paris, com carros que chegavam a impressionantes 19 km/h. Hoje, um carro de Fórmula 1, a principal competição do mundo automobilístico, é capaz de ultrapassar os 300 km/h. Por aqui, você pode acompanhar ao vivo a F1, a Fórmula Truck e participar de competições de kart e categorias de turismo. Em Minas, há autódromos em Santa Luzia, Curvelo, Vespasiano e Betim.

Aeromodelismo

Sabe aquele aviãzinho de papel que você aprendeu a fazer para disputar um minicampeonato de voo livre com seus amigos? Para muita gente, este foi o início de um novo vício. Como os adeptos definem, o aeromodelismo é a "arte de planejar e produzir aeromodelos – miniaturas de aeronaves utilizadas com objetivos experimentais, esportivos ou recreativos". Hoje, a modalidade mais conhecida é a de Rádio Controlado, que compreende os aeromodelos com motores movidos a combustão interna e aeromodelos com motores elétricos. Enquanto o aeromodelo a combustão é uma modalidade mais cara e elaborada, pois necessita de um espaço amplo (pista de voo) e combustível, os modelos elétricos são uma ótima opção de  diversão, pois são capazes de voar em espaços como praias, parques e salões fechados.

Tunagem

Colocar um som potente, rebaixar, trocar as rodas, a suspensão, mudar o visual. É o que fazem os praticantes de tuning. Os adeptos modificam o automóvel porque acreditam que grande parte dos veículos zero quilômetro se encontra configurada para atingir uma demanda de mercado e, nesse contexto, o tuning de carros representaria uma forma de dar um toque pessoal ao veículo. Mas nem só das parências vive o tuning: depois de alterados, os automóveis podem apresentar melhoras em aspectos como economia de combustível, energia e dirigibilidade.

Coleções e restauração de carros antigos

Enquanto alguns investem pesado para deixar seus carros mais atuais e tecnológicos, outros preferem conservar em casa ou em galpões modelos, digamos, nem tão novos assim. É o caso dos colecionadores de veículos antigos. O objetivo é manter essas raridades com peças e aspectos originais do lançamento. Não importa de quando seja o veículo, o desafio é preservar a história. Se antes essas coleções eram sinônimo de “museu”, a moda atribuiu-lhes um adjetivo muito mais cool: vintage.

Harley-Davidson

A Harley-Davidson é uma dessas marcas que foi capaz de criar todo um universo ao seu redor. Fundada em 1903, a marca passou por maus bocados nos anos 1980, quando a importação de motocicletas japonesas mais eficientes e mais silenciosas passou a ameaçar seu mercado. A solução para competir com as novas tecnologias foi justamente celebrar o que as Harleys tinham de mais diferente: o visual icônico, o barulho e a reputação de moto "de raiz" foram deliberadamente utilizados para atrair e fidelizar seus compradores. Deu certo. As vendas voltaram a crescer, e a cultura Harley se espalhou pelo mundo.

Pensar sobre como nos conectamos com o mundo nunca esteve tão em voga e isso inclui pensar sobre como nos locomovemos e a importância que os meios de transporte têm em nosso cotidiano. E você? Está ansioso pelas mudanças que estão por vir?

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