Viagens e Turismo

Das caravelas às naves espaciais, da bússola ao smartphone com GPS, as inovações no setor de viagens estão evoluindo cada vez mais rápido. Novas tecnologias e novas tendências comportamentais estão nos guiando para uma direção que ainda não consta no mapa. Se você acha que sabe tudo sobre viajar, pense duas vezes. Em um piscar de olhos, tudo pode mudar.

nov.2015

Wanderlust.

Derivada do alemão, essa pequena palavra descreve um forte desejo de se caminhar para algum lugar desconhecido, viajar, explorar o mundo.

Grandes viagens para explorar o desconhecido são parte essencial da formação da nossa história. Mas de onde vem o wanderlust da humanidade? Stephen Hawking nos dá a resposta:

We explore because we are human.

Com essa explicação, Hawking celebrava a chegada da sonda New Horizons a Plutão em julho de 2015, depois de nove anos de viagem. Plutão era o último planeta ainda não explorado pela humanidade, o que significa dizer que, de uma forma ou de outra, nós já viajamos para todos os planetas do Sistema Solar. Chegamos ao fim? Claro que não. Isso é só o começo! Não tem gente morrendo de vontade de conhecer Marte pessoalmente?

Essa é a resposta da charada. É sempre só o começo. Sempre haverá um desconhecido diante de nós: outra cidade, outro país, outro mundo. Por isso, o nosso wanderlust nunca será saciado. E que bom que é assim – afinal, tem coisa melhor do que viajar? Nessa edição daremos um salto no tempo e vislumbraremos o futuro das viagens e do turismo, bem como os desafios e oportunidades que os novos tempos trarão para o setor. Pronto para embarcar nessa?

1. A indústria da viagem

Seja a trabalho, a lazer, sozinho ou acompanhado, desbravar novos destinos, explorar novas culturas e conhecer pessoas diferentes é transformador. A cada viagem um aprendizado, uma lembrança e uma nova história. Como diz o velho ditado, “você nunca volta o mesmo depois de uma viagem.” A gente assina embaixo.

E, pelo visto, não apenas nós: uma pesquisa feita pelo World Travel & Tourism Council em parceria com a American Express revela que o impacto total – direto e indireto – do setor de viagens e turismo representou 9,8% do PIB global de 2014. Ou seja, mais de US$7,6 trilhões. A título de comparação, no mesmo ano, o impacto da agricultura foi de 8,5% e o do setor bancário, de 5,9%.

E não para por aí. Em 2014, a indústria de viagem e turismo gerou 105 milhões de empregos diretos, criando, indiretamente, 277 milhões de empregos. Esses números colocam o segmento como um dos líderes na geração de empregos, sendo de suma importância para a economia mundial.

Crescendo em um ritmo mais acelerado do que outros setores importantes da economia, como automotivo, serviços financeiros e saúde, a indústria de viagens e turismo tem previsão de continuar expandindo nos próximos anos, com crescimento notável já em 2015. Viu só? Além de ser uma experiência incrível, viajar ainda contribui para fazer a economia girar.

Mas essa indústria inteira só funciona graças à vontade enorme de viajar que tantas pessoas têm.

2. O novo perfil do viajante

Para aqueles que amam viajar, estar on-line se tornou uma condição. Por meio de tablets, smartphones ou computadores, esses viajantes não só planejam as suas próximas aventuras, como também compartilham memórias, buscam novos destinos e mantêm contato com amigos feitos do outro lado do mundo. Hoje, a possibilidade de ter passagens, hotéis e passeios à distância de um clique promove, ao mesmo tempo, um grande incentivo ao turismo e uma revolução junto à cadeia de produtos e serviços oferecidos pelo segmento.

Mas quem são, afinal, esses novos viajantes? Como utilizam tanta informação a favor das suas viagens? E o que esperam das empresas que atuam no segmento de turismo?

Um raio-X do turista mineiro

Viajar é considerado algo importante para 86,4% dos entrevistados.

O que consideram na hora de escolher um destino de viagem:

Como viajam:

Quando o assunto é hospedagem:

O que é indispensável em um hotel:

A percepção de valor do que é indispensável em um hotel muda muito de acordo com a faixa etária:

28,6%

Jovens entre 20 e 24 anos dão mais prioridade para a oferta de serviços especiais

20,7%

e amenidades no quarto

32%

Aqueles entre 25 e 29 consideram primeiro a localização privilegiada

28,6%

seguida da oferta de serviços especiais

28,6%

e de um restaurante com chef renomado

28,6%

que é o principal critério para os entrevistados entre 40 e 50 anos

30,8%

Já aqueles entre 30 e 39 anos priorizam a acomodação confortável

28,6%

acima de tudo, seguido pelo serviço atencioso/bom atendimento

18,7%

prioridade também para aqueles acima de 51 anos

Apesar de estar conquistando cada vez mais espaço, serviços alternativos de hospedagem como Airbnb e Couchsurfing só foram utilizados por 16,4% dos entrevistados, sendo mais frequentes entre os jovens de 25 a 29 anos (33,3%), seguido por adultos de 30 a 39 anos (22,2%) e aqueles entre 20 e 24 anos (16,7%).

100% dos entrevistados que já utilizaram serviços alternativos de acomodação adoraram a experiência

66,6%

recomendam o serviço e pretendem utilizar essa forma de hospedagem novamente

33,3%

gostaram da experiência, mas preferem se hospedar em hotéis nas próximas viagens

Os jovens entre 25 e 29 anos são os mais propensos a utilizar novamente esse tipo de hospedagem (41,7%).

Dos 83,6% que nunca utilizaram serviços alternativos de hospedagem:

Quando se trata de planejar as viagens:

57,3%

planejam suas viagens com uma antecedência de 3 a 6 meses da data de embarque

24,5%

planejam com 1 a 3
meses de antecedência

13,6%

planejam com 1 ano
de antecedência

4,5%

preferem resolver
de última hora

73,6% dos entrevistados não têm o costume de comprar guias de turismo. Desses, 71,6% preferem procurar as informações na internet, 16% preferem descobrir “in loco” o que a cidade tem a oferecer, 8,6% seguem o roteiro fornecido pela agência de viagem e 3,7% não gostam do formato dos guias de turismo tradicionais.

Quando se trata de planejar as viagens:

Especialistas amadores

Ter acesso a tudo o que se procura com rapidez e facilidade criou um novo nicho de turistas. Eles agora detêm mais conhecimento e, consequentemente, mais poder sobre seus planos de viagem. O resultado? Não é preciso mais delegar a tarefa de planejamento a um profissional. Conduzindo o processo de forma intuitiva e em seu próprio ritmo e gosto, os viajantes passam a ter expectativas maiores com relação ao que é oferecido no mercado, que precisa ir além dos resultados que conseguiriam alcançar sozinhos. Mas nem tudo está perdido: à medida que o número de sites, aplicativos, guias e reviews cresce, surge também a necessidade de uma curadoria afiada. Afinal, com tantas opções para se escolher e tão pouco tempo a se perder, sai ganhando quem oferecer serviços e roteiros personalizados, no menor tempo.

O turismo de experiência

Money buys, emotion sells”: na era do consumo emocional, a experiência é a moeda corrente. Em seu livro Stuffocation, James Wallman levanta a bandeira do “experiencialismo”, defendendo a ideia de que para sermos mais felizes devemos parar de acumular bens de consumo e começar a acumular experiências memoráveis. Assim, o consumidor tem buscado sensações e experiências capazes de se transformar em memórias marcantes e inesquecíveis. Esse mindset influenciou o Turismo de Experiência, que de uns tempos para cá vem ganhando mais espaço no roteiro dos viajantes. Com ele veio a necessidade de se ir além do turismo tradicional quando se viaja, almejando vivenciar experiências locais e marcantes, de preferência fora da sua zona de conforto e/ou da sua rotina.

Favela Experience

Empresa brasileira que proporciona imersões culturais nas principais favelas do Rio. Hospedar-se na casa de um morador, aprender português ou fazer trabalho voluntário são só algumas das possibilidades que a empresa oferece ao turista.

Vivência nas aldeias

Muitas agências já oferecem pacotes para imersão na cultura indígena. As opções incluem dormir em uma maloca (casa de habitação indígena), participar da produção de farinha de mandioca, colher alimentos plantados na comunidade e dançar junto com as tribos. A modalidade já é chamada, entre os especialistas do segmento, de etnoturismo.

O Turismo de Experiência permite ao turista vivenciar praticamente qualquer tipo de atividade ou cultura. Que tal começar a pensar na sua próxima aventura?

Economia de compartilhamento

Do planejamento do roteiro à aquisição de bens e experiências, do transporte à hospedagem, todas as etapas de uma viagem estão sendo abraçadas por essa “nova” economia, que está transformando radicalmente a indústria de turismo e, principalmente, o ecossistema de hospitalidade.

Rachel Botsman, referência no tema e autora do livro “O que é meu é seu”, evidenciou a diferença entre a cadeia de hotéis Hilton e o Airbnb em sua palestra na conferência anual Hospitality Financial and Technology Professionals - HITEC. Em pouco mais de 4 anos, o Airbnb, responsável por tornar popular o aluguel de espaços para hospedagem entre usuários, alcançou 

números mais relevantes do que o Hilton em seus 93 anos de história. Se antes o conceito de hospedagem significava ter um lugar para dormir, hoje ele ultrapassa a idéia de pernoite e ganha traços de um intercâmbio cultural.

O Airbnb se destaca claramente no mercado como uma empresa que explora a economia de compartilhamento de forma bem sucedida. Recentemente, em parceria com o Google Maps, lançou o que chama de Hosted Walks, uma espécie de guia das cidades preenchidos com informações de habitantes locais, que costumam ser bastante preciosas para quem quer viver a realidade das cidades.

Empresas como a GigRove, que conecta startups em busca mão de obra talentosa com turistas habilidosos sem lugar para ficar, e a Workaway, que conecta famílias em busca de ajuda nas tarefas rotineiras a viajantes dispostos a trabalhar algumas horas por dia em troca de um quarto e alimentação, são exemplos de como a Economia de Compartilhamento está sendo disruptiva – e desafiadora – para a indústria de turismo.

Mas esse impacto vai muito além de acomodações alternativas: a forma como planejamos o nosso roteiro, como nos alimentamos, como nos deslocamos, como fazemos compras e como programamos as nossas atividades durante a viagem também está se transformando.

Empresas de aluguel de carro entre pessoas estão no mercado já há algum tempo, mas novos modelos de negócio, como da startup Flight Car, começam a impactar outros stakeholders da indústria de turismo: a ideia da empresa é conectar viajantes que deixam o carro no aeroporto com aqueles que estão chegando à cidade e vão precisar alugar um carro. Dessa forma, quem chega à cidade poupa tempo e dinheiro com o aluguel, e quem viaja não gasta nada com estacionamento – e ainda é pago por “emprestar” seu carro. Se até o estacionamento do aeroporto está sendo afetado, já imaginou qual é o impacto de tantos outros negócios inovadores que estão por vir?

O viajante de amanhã e suas tribos

Se cada viajante almeja uma experiência personalizada, como entender as suas motivações para viajar? A busca por essa resposta orientou o estudo “Future Travel Tribes 2030: entendendo o viajante do futuro”, conduzido pela Future Foundation, em parceria com a Amadeus.

De acordo com o relatório, até 2030 mais de 1,8 bilhão de pessoas viajarão internacionalmente todos os anos, com uma dinâmica de viagem bem diferente da que conhecemos hoje. O estudo separou os viajantes do futuro em seis tribos diferentes, nomeados de acordo com o seu perfil e comportamento de viagem:

Buscadores de Simplicidade

Valorizam acima de tudo a facilidade e a transparência no planejamento de viagens e férias, e estão dispostos a terceirizar a sua tomada de decisão para pessoas ou empresas de confiança. Essa tribo prefere lidar com ofertas prontas e pacotes de viagem, evitando gerenciar muitos detalhes por conta própria. Buscam simplicidade, facilidade e conveniência em todos os processos da viagem.

Puristas Culturais

Enxergam o turismo como uma oportunidade para romper com a sua rotina e se entregar por inteiro a uma maneira diferente de se viver. Planejam a viagem visando mergulhar em uma cultura diferente da sua, mesmo que de maneira desconfortável, buscando ver a vida por outra perspectiva. Para eles, o prazer das férias depende da autenticidade da experiência.

Buscadores de Capital Social

Entendem que ser “viajado” é uma qualidade invejável. Estruturam seus planos de viagem buscando validação. Isso significa dizer que as suas escolhas são moldadas pelo desejo de ser bem aceito e admirado socialmente, o que os leva a pautar seu roteiro de acordo com o quanto aquele destino “agrega” capital social em seus círculos de relacionamento. Para essa tribo, uma selfie sempre é bem-vinda.

Caçadores de Recompensa

Geralmente ocupados e com pouco tempo para desfrutar de lazer no seu dia a dia, esses viajantes estão interessados em viagens recompensadoras. Buscam um retorno para o alto investimento de tempo e energia que fazem em sua vida profissional, visando experiências extraordinárias, premium ou de luxo em viagens mais indulgentes. São mais propensos a planejar viagens tanto ligadas ao bem-estar, incluindo o autoaperfeiçoamento físico e mental, quanto experiências que os façam sentir que o seu esforço valeu a pena.

Viajantes por Obrigação

Orientados por um propósito específico de viagem, seja a negócios ou a lazer, os viajantes dessa tribo têm as suas opções de viagem restritas pela necessidade de cumprir algum objetivo, o que pode acabar limitando o viajante em questões de tempo e orçamento. Mesmo que consigam realizar atividades que vão além do objetivo principal, suas demandas e comportamentos são guiados principalmente por sua necessidade de estar em um determinado lugar, em um determinado momento, sem flexibilidade nos planos. Os viajantes a negócios são uma parcela significativa dessa tribo, que se apoiará na tecnologia para evitar qualquer tipo de aborrecimento durante as viagens.

Viajantes Éticos

Guiados por sua consciência, os viajantes dessa tribo baseiam seus planos de viagens em fatores morais. Suas viagens serão mais conscientes, considerando sempre a economia, o mercado e o meio ambiente, com suas escolhas moldadas pelos seus ideais políticos. Viagens de voluntariado, desenvolvimento comunitário ou atividades ecossustentáveis serão comuns para essa tribo, que pode também realizar viagens de lazer ou negócios atenta a como pode ajudar na redução da emissão de carbono, ou em como pode, durante a viagem, melhorar a vida de algumas pessoas, dentre outros fatores éticos.

3. Como a tecnologia transforma o jeito como viajamos

Em 23 de outubro de 1906, Santos Dumont cruzava o céu de Paris no 14-Bis. Os 221 metros percorridos por ele descortinaram um mundo de possibilidades que iria se tornar realidade dentro dos próximos anos: viagens intercontinentais mais rápidas, acesso a novos destinos e um mercado bilionário de transporte aéreo.

Pouco mais de um século depois, em 2013, Elon Musk, o empreendedor sul-africano por trás da Tesla, do PayPal e da SpaceX, revolucionou o mercado com a apresentação do Hyperloop, um novo conceito de transporte de alta velocidade. Com o objetivo de reduzir o tempo de viagem e proporcionar um meio de transporte mais seguro, barato e conveniente para percursos até 1.500 km de distância, o Hyperloop consiste em cápsulas transportadas em velocidades até 1.200 km/h em tubos de baixa pressão, em um fluxo constante de ar pressurizado. Com o primeiro protótipo previsto para 2016, no percurso entre San Francisco e Los Angeles, o Hyperloop é só um exemplo de como o futuro das viagens será completamente diferente do que conhecemos hoje.

 

Inovações tecnológicas estão avançando em ritmo acelerado e, claro, a indústria do turismo não fica para trás. Novas ferramentas, plataformas e formas de interação acabam catalisando mudanças que afetam diretamente na maneira como nos comportamos e, consequentemente, como viajamos.

Viagens virtuais

Mesmo quando a ideia de realidade virtual era apenas ficção, um dos primeiros usos imaginados para ela era poder “estar” em qualquer lugar do mundo. Agora que essa tecnologia já dá seus passos no mundo real, abre-se um mar de possibilidades para a indústria do turismo. Companhias aéreas como a Virgin, a British Airways e a Qantas já se renderam à realidade virtual, proporcionando aos passageiros uma nova forma de desbravar o mundo.

Em parceria com a Samsung, a australiana Qantas projetou um novo sistema de entretenimento a bordo, dando aos passageiros de primeira classe uma experiência imersiva nas Ilhas Hamilton, cartão postal do país. A ideia é que, com o tempo, toda a sua programação a bordo esteja disponível nesse formato. A Virgin, por sua vez, disponibiliza a tecnologia em suas lojas, para que os clientes em dúvida para onde ir possam decidir melhor após “experimentar” um pouco dos destinos virtuais.

Uma ideia parecida tem sido usada pela Marriott, que disponibiliza aos seus hóspedes um serviço de quarto

com cartões-postais virtuais para que eles possam conhecer e explorar outros destinos em que a rede está presente.

 

É claro que os dispositivos de realidade virtual e imersão 3D não conseguem substituir a viagem real, mas serão cada vez mais usados por players do setor como uma ferramenta para criar desejo no viajante, mostrando seus destinos e as experiências únicas que eles poderão desfrutar, caso optem por explorar o local “de verdade”. Quem sai ganhando com isso é o próprio viajante, que poderá fazer escolhas melhores com base na experiência virtual prévia. E você, aonde gostaria de ir?

Assistentes virtuais

Viagens virtuais

De acordo com o relatório As Viagens no Futuro: Ano 2024, da Skyscanner, o viajante do futuro contará com total apoio de assistentes virtuais para decidir todos os detalhes da sua viagem. A previsão é que teremos “companheiros de viagem digitais” com inteligência artificial para sugerir e reservar roteiros sob medida para as nossas preferências. Esses assistentes, que terão voz e personalidade escolhidas pelo usuário, serão como agentes de turismo conectados 24 horas por dia com os desejos do viajante, podendo dar sugestões de programações e assistência em tempo real. E sejamos sinceros: essa realidade não está nem um pouco distante para quem já se acostumou com a companhia da Siri (iOS), da Cortana (Windows) ou do Google Now (Android).

A possibilidade da presença cada vez maior de assistentes digitais inteligentes foi, inclusive, debatida no World Economic Forum. No caso, o conceito foi abordado com o Integrated Proactive Intermodal Travel Assistant (IPITA), um assistente virtual capaz de agrupar, em tempo real, mudanças no trânsito e no tráfego aéreo – o que permite o cálculo e reserva de rotas alternativas e mais rápidas, em prol do melhor aproveitamento do tempo do usuário.

O projeto piloto do IPITA está sendo rodado na Europa desde 2012 e a tecnologia tem previsão para chegar de vez no mercado a partir de 2025. Para quem não quer esperar até lá, já existem algumas empresas como a Pana e a Key to Anywhere que funcionam como concierges digitais, cuidando de todos os detalhes da viagem do usuário em apenas alguns cliques. Por sua vez, a AirHelp promete resolver qualquer problema com companhias aéreas.

Do que você precisa para viajar?

Do planejamento do roteiro às dicas para explorar o local, do processo de arrumar mala à viagem sem bagagem, para tudo existe um gadget ou aplicativo. Independentemente do produto ou serviço, os viajantes recorrem à tecnologia para facilitar cada vez mais as etapas da viagem, trazendo mais conveniência e praticidade ao processo de viajar.

4. A experiência de viagem do futuro

As mudanças na indústria da hospitalidade estão acontecendo rapidamente. Será que conseguimos, ainda, prever o futuro?

O aeroporto do futuro

Quando você pensa em aeroporto, hoje, certamente já imagina a fila do check-in. Se você é mais moderninho e já se registrou para o seu voo pelo smartphone, pelo menos a fila de despachar as malas ainda pode te assombrar. Isso sem falar no medo que sentimos quando não conseguimos ver a nossa bagagem fazendo o seu lento percurso por esteiras sinuosas e tumultuadas.

Que tal pensar em uma realidade completamente diferente? Ao invés de fazer check-in com seus documentos, você pode escanear seu rosto em qualquer ponto do salão. Ao invés de entregar a sua mala para despachar, quem sabe não podem existir pontos específicos do saguão para depositar a sua bagagem, que vem de fábrica com um rastreador RFID? E aí, em pouco tempo, uma notificação no seu celular já avisaria que tudo aquilo que você está levando em sua viagem já está onde deveria estar.

Vamos mudar outra coisa? Ao invés de salas de embarque barulhentas e monitores com listas de voos e portões, não seria muito melhor receber uma outra notificação com as orientações de portão e horário do seu embarque? Seria o fim do aviso de reposicionamento de aeronaves e do transtorno de sair correndo para o piso inferior para a primeira – e última – chamada do embarque remoto imediato.

Os mais ousados chegam até a prever um futuro no qual, ao invés de levar a sua bagagem, você poderá imprimir a sua mala, roupas e o que mais precisar em impressoras 3D espalhadas por todo o terminal. Pronto, não dá mais para esquecer aquele item super importante que acabou ficando no seu armário.

 

Algumas dessas facilidades que descrevemos não estão distantes do presente e ajudam a transformar os aeroportos em locais de total conveniência, focados na experiência de viagem e no passageiro. 

E se você ainda não se convenceu, pense novamente. Já está cheio de gente prototipando experiências que prometem mudar para (muito) melhor a experiência de viagem:

A compra das passagens

A agência de design Fantasy, com base em pesquisas de experiência do usuário, redesenhou a jornada de compra de passagens aéreas pensando em como torná-la mais simples e rápida, atendendo às demandas do passageiro. Nada de ficar abrindo todos os sites de companhias aéreas ou utilizar serviços agregadores que, muitas vezes, mais geram do que aliviam dores de cabeça.

A companhia aérea

Outra consultoria de design, a Teague, já pensou também em como seria a companhia aérea, as aeronaves e até a experiência de embarque e voo do futuro. Assentos do meio diferenciados, mudanças nas políticas da bagagem de mão e cabines-cinema são algumas das novidades que podem ser oferecidas pela Poppi, a companhia aérea do futuro.

O hotel do futuro: hospitalidade na era do virtual

Viagens virtuais

O futurista Thomas Frey já consegue apontar quais são os caminhos que os hotéis trilharão no futuro, de forma que fiquem ainda mais atenciosos, atendendo seus hóspedes de forma mais personalizada e simbiótica. E tudo se resume a uma palavra: informação.

Cada viajante tem seus desejos e aspirações, e eles desejam moldar suas próprias experiências, criando um acervo de memórias pessoais que em algum momento será compartilhado nas redes sociais. Eles podem até se inspirar nos planos de outros viajantes, mas sua curadoria e autonomia em todo o processo é que tornarão a experiência única.

Em busca de serviços mais personalizados ou maior conveniência, muitos – principalmente os millennials – já concordam em compartilhar informações pessoais, a fim de melhorar a sua experiência de viagem. Como? Recebendo soluções sob medida, em tempo real e, principalmente, coerentes com seu contexto e demanda.

 

O Big Data surge assim como grande aliado da indústria de Viagem e Turismo, fornecendo insights para experiências cada vez mais inteligentes. Com uma visão integrada dos dados, é possível aprimorar os processos, inovar nos serviços e construir um relacionamento mais estreito com os clientes, colaborando para melhorias reais do setor.

Viagens virtuais

E, se a análise de dados passa a ser a base da experiência do hotel do futuro, cada hospedagem pode ser completamente personalizada. O hóspede pode começar a ser rastreado e compreendido no momento da reserva, para que as suas preferências estejam disponíveis quando chegar.

Frey ainda imagina um cenário no qual a recepção pode ser perfeita, pois quando o hóspede se aproximar, o quarto já pode ficar na temperatura e nível de umidade preferidos, e suas malas são direcionadas por robôs diretamente para o quarto. Além disso, o check-in é feito na primeira passagem pelo lobby e as informações do quarto já são enviadas direto para o celular do cliente, que passa a ser usado também para abrir a porta do quarto. Como o hóspede foi rastreado, opções de alimentação que seguem os gostos e restrições individuais podem ser oferecidas, completando a experiência.E por que não um espelho de banheiro inteligente, informando ao hóspede informações relevantes para aquele dia?

Algumas iniciativas já trazem o futuro, que antes estava só nos filmes de ficção científica, para a realidade.

Yotel

http://www.yotel.com/en/

Facilidades tecnológicas viabilizam serviços normalmente associados a hotéis de luxo por preços mais baixos. Exemplos são o check-in completamente automatizado e o robô que encaminha as malas para os quartos.

Aloft

http://www.starwoodhotels.com/alofthotels/index.html

No Vale do Silício, nas unidades do Aloft – da gigante rede Starwood Hotels –, um mordomo robô chamado Botlr já recepciona os hóspedes e pode fazer pequenas entregas nos quartos.

Um fator interessante da indústria da hospitalidade é que, como precisa atender seus clientes da melhor maneira possível, oferecendo experiências memoráveis, ela acaba se tornando o campo de teste de várias tecnologias emergentes. Até por isso, conseguimos ver não só pequenas iniciativas aplicando novas tecnologias no dia a dia da operação, mas também grandes nomes da indústria se movimentando rapidamente.

Aria Resort & Casino

http://www.aria.com/

Um dos hotéis mais luxuosos de Las Vegas é o Aria, que faz parte da rede MGM, responsável por uma série de resorts e cassinos ao redor do mundo. Por lá, já começaram a testar como as informações dos hóspedes podem personalizar a experiência. O hotel guarda a temperatura do ar-condicionado que mais agrada, o arranjo preferido das cortinas do quarto, as músicas favoritas e quais pratos são os mais pedidos. Assim, quando o hóspede chega, as suas preferências já estão ativas. Não estamos tão longe assim do cenário traçado por Frey, não é mesmo?

Walt Disney World Resorts

http://disneyworld.disney.go.com/pt-br/

Desde 2012, a empresa vem testando chips de rádio-frequência espalhados por todo o complexo na Flórida, que acabaram evoluindo para toda uma nova forma de interação entre o visitante e a empresa. O processo começou aos poucos, com testes em hotéis específicos e foi expandindo. Hoje, as MagicBands já são um padrão e integram um grande sistema chamado MyMagic+.

A ideia do MyMagic+ é já iniciar a experiência de viagem em casa, desde o momento da reserva. O convidado pode reservar o hotel e já incluir os ingressos para os parques e até mesmo associar um cartão de crédito às suas MagicBands. A pulseira serve também de chave do quarto, além de registrar as atrações visitadas, transações realizadas e fotos oficiais. Com o MyMagic+, o convidado ainda pode reservar restaurantes, marcar horários de visitas aos mais icônicos personagens da Disney e agendar o FastPass+, que acabou com a necessidade de tíquetes de papel para entrar na fila mais rápida para as atrações. Tudo isso é integrado com um aplicativo que dá notificações de todos os horários reservados, servindo como um guia pessoal de cada visitante, informando também os tempos de fila, mapas detalhados e quais atrações estão, por alguma razão, inoperantes.

5. O futuro está próximo. E agora?

Em tempos de inovações disruptivas cada vez mais frequentes, as empresas devem se antecipar para inovar, criando nichos e suprindo as demandas do mercado. É preciso permanecer um passo à frente dos consumidores para atender não apenas às suas necessidades de hoje, mas para compreender qual é o seu papel nas viagens que ele fará no futuro.

Se você seguiu conosco até aqui, já viu que conveniência, facilidade, personalização e experiência são as palavras frequentes que ditam o futuro da indústria da hospitalidade. Junto com a transparência, a flexibilidade e a eficiência, fica claro que o viajante do futuro quer que a sua viagem seja um processo fluido, personalizado e com o máximo aproveitamento do tempo e recursos disponíveis. A Associação Internacional de Transportes Aéreos é mais uma das instituições que acreditam que a jornada do consumidor precisa ser simplificada. Dê uma olhada em como eles imaginam que será a experiência do passageiro do futuro:

Assim, para atender bem o viajante do futuro, as empresas do setor têm que entender que a jornada do consumo realmente gira em torno de cada cliente.

Como você está contribuindo para que o viajante desfrute sua viagem da melhor forma possível?

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